Crítica – Fahrenheit 451 (2018)

451

Vivemos uma terceira guerra mundial invisível profetizada pelas clássicas distopias  

  A distopia clássica inicia-se após grande guerra física ou bacteriológica ao optar-se, sob violenta emoção, pela saúde em vez da privacidade. Nesse sentido foi criada a opressora KGB soviética, na época incapaz de policiar à distância. Ao contrário das inspiradas obras: Revolução dos Bichos1984, no novo Fahrenheit 451 da HBO não há repressão física por parte do governo global, “apenas” doutrinação em massa “gramscista”, semelhante ao caos da era medieval, que também subvertia o hábito de ler grandes obras literárias – tesouros corroídos pela humanidade que a traça não conseguiu corroer – formando, com o tempo, uma sociedade teleológica e utilitária de analfabetos sedentos de “água viva”. O remake do longa de François Truffaut, em vez de demonizar a televisão, usa a tecnologia globalizada a favor do bem a fim de propagar eternamente o conhecimento multi-interpretativo contido originalmente nos livros de papel antes de serem queimados pelos bombeiros, que outrora apagavam incêndios. A reviravolta ocorreu após a consciência do bombeiro Guy Montag (Michael B. Jordan) despertar, orientado pela pretendente Clarisse McClellan (Sofia Boutella), fazendo-o raciocinar, “filosofar”, interpretar e finalmente questionar o sistema vigente além das dogmáticas manchetes imediatistas de jornal, ignorando as falácias e sofismas do traumatizado mentor, o capitão Beatty (Michael Shannon), e a partir daí, ele passa também a ouvir música e não pingar mais o colírio diário que apagava suas lembranças, gradativamente. Vivemos o mesmo dilema hoje em virtude dessa guerra bacteriológica mundial provocada pelo vírus chinês, Coronavírus. De acordo com o artigo do escritor israelense Yuval Harari, autor de Sapiens e Homo Deus, para o Financial Times, semelhante a obra homônima escrita por Ray Bradbury em 1953; após o caos apocalíptico o cidadão de cada país deverá escolher, mesmo que inconscientemente, viver em um totalitarismo vigilante com milhares de câmeras e smartphones monitorando-o 24 horas por dia, a exemplo da metodologia opressiva implantada pelo atual regime comunista chinês. Ou quem sabe, em um futuro próximo, poderemos ser obrigados a usar uma pulseira biométrica, o que é ainda pior. Entretanto, ao invés do poder de polícia, o caminho ideal, muito mais eficaz e saudável, seria instruir, motivar e informar todos os cidadãos do mundo, a fim de que eles retribuam a sua confiança na ciência, nas autoridades e na mídia, da mesma forma que aprendemos a criar o hábito de lavar as mãos, um dos maiores avanços da higiene humana, ignorado até o século 19, o que acabou salvando a vida de milhares de recém-nascidos logo após o parto, outrora infectados por vírus e bactérias, incompreensíveis na época.

 Fahrenheit 451. Direção: Ramin Bahrani. Ficção Científica. (EUA- 2018, 100 min). Nota: 3,0.

Nota - 03

 

Fahrenheit 451 | Formiga na Tela 181 – Formiga Elétrica

Fica a dica: Ainda vale a pena ler a distopia FAHRENHEIT 451?

 

Porque é que o coronavírus – Covid-19 – apareceu na China?

 

Pandemias | Nerdologia

Gripe Espanhola: a Pandemia que Varreu o Mundo em 1918 – DOC #46

China de olho no mundo pós-pandemia

2 comentários em “Crítica – Fahrenheit 451 (2018)

  1. Ótimo artigo e crítica! Gosto muito da forma, das referências e do embasamento sociocultural que seus textos possuem.
    Recomendo a avaliação e a crítica do livro “A Peste” de Albert Camus (se já tiver feito, me desculpe), tão conveniente nesses tempos de COVID-19

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