Crítica – O Rei Leão (2019)

THE LION KING

Genuíno comportamento “humano” dos animais

O mesmo diretor de Mogli – O Menino Lobo, Jon Favreau, o Happy Hogan de Homem-Aranha: Longe de Casa, traz mudanças pontuais significativas em relação à animação de 1994, ampliando nossa perspectiva geográfica, além de enfatizar melhor alguns conceitos, como na cena da presença do espírito de Mufasa envolto na potente voz de Beyoncé (Spirit – canção inédita). Destaque às expressões realistas, menos caricatas e totalmente digitais dos animais. Aqui, a futura rainha Nala ganha mais espaço, já o déspota Scar escancara ainda mais sua personalidade maquiavélica manipulando qualquer um sem distinção. Isso acabou transformando a disciplinada monarquia de Mufasa em uma tirania totalitária descontrolada, a exemplo da Venezuela. Essa cartilha aristotélica indica que um governo bem intencionado independe de estrutura específica. No caso geográfico da savana africana, ambiente de recursos escassos, O Rei Leão administrava com sabedoria, controlando rigorosamente a cadeia alimentar entre presas e predadores (o ciclo da vida) dentro do limite competente. Para isso, exercia a típica autoridade leonina mesclada à doçura de um gatinho tentando não agredir o sentimento dos súditos. Em oposição ao Jardim do Éden de Pumba e Timão (ou do urso Balu, em Mogli). Delícias ilimitadas formosas de ver e gostosas de comer onde a natureza já se encarrega de tudo (olhai os lírios nos campos). Ambiente acomodativo irresistível que isentava os habitantes de quaisquer deveres e obrigações. Metodologia Hakuna Matata que influenciou o já traumatizado Simba em contradição aos ensinamentos do pai. A partir daí, o ingênuo e bondoso príncipe se recusou a amadurecer, contaminado pela Síndrome de Peter Pan, reluto em confrontar seus medos interiores (Scar) e futuras responsabilidades governamentais. O que, na prática, significava assumir o trono que é seu por direito urgentemente a fim de salvar a Pedra do Reino da fome e da ruína total.

O Rei Leão. Direção: Jon Favreau. Aventura. (The Lion King, EUA, 2019, 118min). 10 anos.Nota: 4,0.Nota - 04

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