Crítica – O Filme da Minha Vida (2017)

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Amores e desilusões de um adolescente homem

    A nova obra de arte de Selton Mello, depois de O Palhaço, foi tonalizada belissimamente em cores sépia por Walter Carvalho, o mesmo de Lavoura Arcaica. A trama retrata com perfeição a vida pacata e cândida dos anos 60 durante o título mundial de boxe de Éder Jofre. Ambientado e filmado na Serra Gaúcha, o longa acompanha o melancólico professor de francês adolescente Tony Terranova (Johnny Massaro), que, iludido pela repentina partida do pai-herói Nicolas (Vincent Cassel) a Paris, tem que lidar com grandes responsabilidades e descobertas sexuais, orientado por linhas tortas pelo abrutalhado amigo Paco (Selton Mello). Possivelmente o melhor filme nacional da década, indicação segura para representar o Brasil no Oscar 2018, a exemplo de O Quatrilho, comparação sugerida pelo próprio diretor, em coletiva de imprensa realizada no dia 25 de agosto. O longa é baseado no livro “Um pai de cinema”, do chileno Antonio Skármeta, o mesmo de O Carteiro e o Poeta, resumido nestas sábias palavras: “Componho minha vida com os materiais rústicos da aldeia: som aflito do trem local, as maçãs do inverno, a umidade que sinto na casca dos limões tocados pelo orvalho da madrugada, a paciente aranha na escuridão do meu quarto, a brisa que balança as cortinas”. Nota: 5,0.

 Nota - 05

 

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