Crítica – Amores brutos (2000)

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Amores Caninos

    Logo na sua  estreia  o aclamado diretor mexicano produziu uma das melhores películas de narrativa fragmentada de todos os tempos.Três histórias que se entrelaçam entre si têm como protagonista em cada uma delas os fieis cães companheiros inseparáveis do homem .O ato primordial  gira em torno de um acidente de carro que muda sensivelmente a vida de três pessoas. A vítima mais prejudicada foi uma linda modelo de carreira promissora que em segundos, com o impacto nas pernas, vê aquele mundo de sonhos desmoronar ao perder seu instrumento de trabalho. Meses depois, limitada em uma cadeira de rodas, presencia a aflição de seu bichinho de estimação preso em baixo do assoalho. Sozinha em casa, sua angustia cresce a cada segundo por estar impotente naquela terrível situação.O responsável  pela tragédia automobilística é um garoto humilde de vida modesta que pensava em fugir com a cunhada pela qual estava apaixonado. Para arrecadar dinheiro arriscou a vida de seu pobre cão Cofi em brigas mortais e clandestinas com outros cachorros. Ao vencer uma delas deixa o dono do animal perdedor inconformado. Os dois tentam escapar de carro do desordeiro vingativo provocando a terrível colisão com o veiculo da bela modelo.

  Dentre os pedestres que testemunharam a cena dantesca, está um ex-guerrilheiro comunista, morador de uma favela, que ganha a vida como mercenário  devido as sérias desavenças com a filha. O ex-presidiário atualmente acolhe dezenas de cães hospedando-os em seu humilde lar. Foi por esse motivo foi que acolheu Cofi ao vê-lo gravemente ferido estatelado no chão a espera da morte.

  A vida nos proporciona inexplicáveis contrariedades. Como pode um sem-teto, sobreviver como matador de aluguel e ao mesmo tempo abrigar dezenas de cães jogados na rua.

     E assim criativamente Alejandro González-Iñárritu vai desenvolvendo a trama  aos poucos ao seu gosto; apimenta violentamente grande parte dos ingredientes e adoça-os, nos momentos cruciais. Infortúnios e reviravoltas revelam que o verdadeiro animal é o próprio homem. O cão é  só um animal irracional, cujo reflexo é o seu próprio dono, podendo ser o ser mais dócil , ou um cruel assassino.

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