Crítica – Réquiem para um Sonho (2000)

requiem

O sonho de ficar magra e ganhar dinheiro fácil.

  O diretor Darren Aronofsky inova ao levar o espectador á uma viagem alucinante pelo mundo das drogas.Este é sem duvida, um dos filmes mais realistas de todos os tempos cujo final foi considerado um dos 50 melhores de toda história do cinema. Aronofsky enfatiza os dois principais vícios da humanidade: emagrecer e ganhar dinheiro fácil.

           A trama concentra-se em quatro personagens. Sara -Ellen Burstyn de O Exorcista em grande atuação que lhe rendeu a indicação  ao Oscar daquele ano- interpreta uma mãe solitária que passa horas em frente da TV viciada em um famoso programa de auditório. Certo dia recebe um telefonema para participar do sonhado programa que não sabemos se realmente ocorreu ou se foi fruto de sua imaginação. A partir daí ela começa a tomar anfetaminas durante o dia e sedativos á noite para emagrecer o suficiente e caber em seu vestido vermelho favorito – presente do  falecido marido.

  Em dado momento a extensa carga de remédios passa a não surtir efeito e apesar dela já estar 13 kg mais magra o médico negligente aumenta consideravelmente a dosagem sem ao menos olhar a aparência deplorável da paciente. Talvez a melhor cena seja a da geladeira aproximando-se de sua dependente tentando devorá-la como no clássico Tubarão (1975) de Steven Spielberg.

  Além de emagrecer um dos maiores prazeres de Sara (e de toda mulher) era a companhia do único filho Harry (Jared Letho) que saiu de casa com o sonho de ganhar dinheiro fácil. Para isso, ao lado da namorada Marion (Jennifer Connely ) e do amigo Tyrone(Marlon Wayans) começa a traficar heroína ilicitamente,diferente da mãe  que faz uso de drogas sob prescrição médica. Já Ty que buscava apenas prazer , percebeu depois a possibilidade ganhar dinheiro com o tráfego,mas foi o único a ser preso por ser negro. Já os namorados tornaram-se dependentes compulsivos.Marion acabou se prostituindo para sustentar o vício e Harry ficou com sequelas irreversíveis .Freud relata que a busca pelo prazer é um imperativo da vida  potencializada pela sociedade de consumo, onde tudo é transformado em mercadoria.

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