Crítica – O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (2002)

19828374.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx

Amelie em Paris das Maravilhas

    Era uma vez uma garotinha solitária e privada de contatos físicos, exceto para os exames médicos mensais realizados pelo pai. Ainda criança perde a mãe tragicamente e tornando-se mais fechada para o mundo externo, até atingir a maioridade e ir morar sozinha.

     Tudo caminhava para um fim melancólico de sua existência até que um fato inusitado provoca a abertura de uma fenda no banheiro de sua casa  onde  escondia uma caixinha contendo lembranças e brinquedos infantis.Sem identificar-se ao devolver a relíquia ao verdadeiro dono ( Maurice Bénichou) que chorou copiosamente,Amelie a partir daí, decide ajudar todos a sua volta como pode, arranjando namoros, encontros, empregos, quebrando simples galhos que mudariam a vida daquelas pessoas para então encontrar o amor de sua vida(Mathieu Kassovitz) em meio a uma brilhante estratégia. A missão de Amèlie (Audrey Tautou) na verdade é a mesma de cada um de nós,que consiste em amar ao próximo mais do que a si mesmo.

    A fábula contemporânea do cineasta Jean-Pierre Jeunet  acrescido do primordial trabalho do diretor de fotografia  Bruno Delbonnel resgata uma Paris nostálgica e multicolorida sem perder o modernismo cosmopolita combinando com um roteiro dinâmico e sensacional ao estilo vídeo clipe. Embora envolto num cenário fantástico, vemos o cotidiano de pessoas humildes de hábitos nada convencionais: Como catar grãos de açúcar  sobre a mesa, estourar bolinhas de plástico, atirar pedras no rio, colecionar fotos rasgadas etc.. Um bom exemplo são as TVs dos anos 60 com programação  atual.

   “Amèlie é um filme sobre o amor, como quase todos os filmes inesquecíveis são. Mas sobre o amor mais puro, mais simples, o amor das almas gêmeas e das semelhanças, o amor sem limites e sem pudores. O amor pelo amor, não por alguma convenção social boba ou pela atração física, que é, afinal de contas, passageira. O amor que vem do fundo mais escondido de nossas almas. E é um filme sobre ter a presença de espírito de acreditar que esse amor existe. É um tour de force, de certa forma, pela mente de todos os sonhadores e artistas do mundo. Mas é também aquele tipo de obra que jamais poderá ser colocada com exatidão em palavras, justamente porque vai além, e muito além, do que foi feito para ser. E é nesse momento que fazer arte, ver arte, ser arte, parece valer a pena de uma vez por todas.” [1]

[1] http://o-anagrama.blogspot.com/2011/01/os-inesqueciveis-o-fabuloso-destino-de.html

 

Anúncios