Crítica – OS OUTROS (2001)

 

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         Em uma década onde a tecnologia fez o gênero de terror ser banalizado pelo excesso de violência, muito sangue e principalmente sem um enredo inteligente,filmes como Os Outros se tornaram exceção;.considerado ainda um dos melhores do gênero .

    Se tivéssemos de escolher os melhores ingredientes para  realizar um grande filme de terror a maioria deles estaria aqui.  Pensando nisso, o  diretor Alejandro Amenábar baseou-se levemente no clássico literário de Henry James A Volta do Parafuso e voltou ás origens clássicas.Á começar pelo cenário esvoaçado tipicamente londrino,  em volta da mansão isolada na ilha de Jersey.A dificuldade em comunicar-se com o mundo exterior, somado ao frio e a neblina constante (fog) foram aperitivos essenciais. A angústia e a tensão da mãe e seus dois filhos 18 meses á espera do pai que partiu para lutar na II Guerra Mundial também .Entretanto, o ingrediente principal está no interior da tradicional casa mal-assombrada onde se desenvolve a maior parte da trama.

       No entanto, a causa dos arrepios nos espectadores não é o fato da enorme mansão abrigar essas frágeis e solitárias criaturinhas, mas a ausência de iluminação.Nicole Kidman brilhantemente interpreta uma  rígida e insegura religiosa de lindos olhos tensos e esbugalhados .

      As crianças sofrem de uma estranha doença que os impede de receber diretamente a luz do sol chamada xerodermia pigmentosa, por isso, nunca há qualquer fresta de luz no ambiente onde os pequeninos estão. Por esse motivo os últimos empregados foram dispensados.

   No entanto, toda disciplina e dedicação da mãe na educação bíblica a eles tornou-se inútil, pois suas crenças dogmáticas ignoraram a presença notória de espíritos no recinto. “Todo seu maniqueísmo, representando as pessoas cegamente religiosas, que não conseguiram sair, até hoje, totalmente, da Idade Média e que, por isso, vivem limitadas, e mesmo afligidas, pelo excesso de suas crenças e  superstições.”[1] Para convencê-la a desistir dessas interpretações alegóricas, e raciocinar encarando a realidade, surgem novos e misteriosos empregados: A governanta (Fionnula Flanagan), O jardineiro e coveiro (Eric Sykes) e a mudinha(Elaine Cassidy) . Mas ela  só enxergou a verdade quando já era tarde demais!

[2] http://bocc.ubi.pt/pag/bocc-campos-vida.pdf

 

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