Crítica – A Cabana (2017)

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O Evangelho Segundo A Cabana

    É natural nos lembrarmos de Jeová (YHWH) – o impronunciável, malvado e vingativo Espírito Protetor de Israel do Velho Testamento; um falso deus a serviço do bem que visava corrigir os teimosos pupilos materialistas, ao contrário de Eli, Deus único e imaterial de infinita bondade, chamado de Pai por Jesus no Novo Testamento – quando estamos sob violenta emoção, a exemplo de Mackenzie (Sam Worthington) após a morte da filha pequena Missy (Amélie Eve). “O determinismo divino se constitui de uma só lei, que é a do amor para a comunidade universal. Todavia, confiando em si mesmo, mais do que em Deus, o homem transforma a sua fragilidade em foco de ações contrárias a essa mesma lei, efetuando, desse modo, uma intervenção indébita na harmonia divina. Eis o mal. Urge recompor os elos sagrados dessa harmonia sublime” (“O Consolador”, Chico Xavier). “O bem será, desse modo, nossa decidida cooperação com a Lei, a favor de todos, ainda mesmo que isso nos custe a renunciação mais completa (…) E o mal será sempre representado por aquela triste vocação do bem unicamente para nós mesmos, a expressar-se no egoísmo e na vaidade, na insensatez e no orgulho que nos assinalam a permanência nas linhas inferiores do espírito” (“Ação e Reação”, Chico Xavier). O Evangelho segundo o livro e o filme A Cabana, narrado em linguagem popular e esclarecedora, nos remete ao cristianismo primitivo, isento de dogmas e rituais proselitistas. Lá, Deus-Papai (Octavia Spencer) é uma doce dona de casa negra acima do peso que prepara, com muito esmero, um belo e delicioso banquete a Mack. Jesus (Avraham Aviv Alush, que também é judeu) é apenas um carpinteiro, e o Espírito Santo Sarayu (vento), uma humilde oriental. Vento era como os narradores da Bíblia denominavam os Espíritos; ora anjos, ora o Fluido Universal, ora o próprio Deus. Por fim, Mack é intimado por Sophia, a Sabedoria Divina (Alice Braga), a julgar a própria família em vez de continuar questionando as atitudes Divinas. Ele poderá salvar apenas um filho do eterno fogo do Inferno. Uma terrível “escolha de Sophia” que acabará de vez
com seu sofrimento interno
.A Cabana (The Shack, EUA,
2017, de Stuart Hazeldine, Drama, 132 min, 12 anos Nota :4,5.

 

Nota - 4,5

 

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