Convergência – Muito Barulho por quase nada

 A saga confusa que trouxe o Multiverso de volta , prescreve um ano depois devido ao lançamento de Rebirth. Confira a matéria de junho de 2015 do site : O Super Nerd   

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Convergência promete mudar todo o Universo DC novamente desde Flashpoint.

Desde o início dos Novos 52, Convergência é um dos maiores eventos da editora. Convergência chegou para transformar completamente o Universo DC e “reiniciar” tudo do zero, novamente – momento perfeito para começar a acompanhar suas revistas favoritas!?

O evento abrange todo o Multiverso da DC e vai redefinir todo o cenário dos Novos 52 e tudo que a editora vinha construindo. Durante Convergência, vários mundos paralelos foram retomados e três linhas do tempo principais foram exploradas: A Crise nas Infinitas Terrasde 1985, Zero Hora de 1994 e Flashpoint de 2011.

Isso é um verdadeiro banquete para os fãs, que vão ter, ao menos por um instante, seus personagens favoritos de volta a cena. Antes de começar a apontar a história de Convergência, junto com seus acertos e erros no primeiro momento do grande evento, entenda o que veio antes.

Pré-Convergência
Para aqueles que desconhecem, o Universo DC sempre foi construído sobre a ideia de um Multiverso que coexiste. Terras alternativas conseguiam explicar histórias em tempos diferentes, por exemplo, foi possível trabalhar com a Sociedade da Justiça da América atuando na Segunda Guerra Mundial e também em tempos diferentes.

Anos de histórias começam criar um emaranhado de coisas que começam a sair do controle. Foi então que em 1985 surgiu “Crise nas Infinitas Terras”, onde a editora acabou racionalizando os mundos do Multiverso e matando uma tonelada de terras alternativas, simplificando tudo em um Universo DC com uma única linha do tempo.

Novamente, em 1994, se iniciou o evento “Zero Hora”. Neste, Hal Jordan tornou-se completamente pirado após a destruição de sua cidade e sua amada, ele assassinou todos os Lanternas Verde e se tornou Parallax, em uma iniciativa para reescrever todo o Universo DC. Zero Hora resultou em uma linha do tempo ainda mais simplificada.

Por fim, “FlashPoint”, em 2011, reiniciou novamente todo o Universo DC com Flash alterando drasticamente a linha do tempo em uma tentativa de salvar a sua mãe. Tal evento trouxe a origem dos Novos 52, que se manteve até os dias de hoje. Mas, Convergência está ai para mudar esse quadro – será?!

O interessante é que o intervalo entre Flashpoint e Convegência foi muito pequeno, em relação aos últimos grandes eventos. Mas, não é novidade que os Novos 52, mesmo com algumas poucas boas histórias, não conquistou o público como a DC pretendia.

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Convergência

A primeira revista situa o leitor sobre a existência de múltiplas terras e o que está acontecendo.
Para realizar a leitura de Convegência, não é obrigatória nenhuma bagagem, embora ler Superman: Condenado seja interessante. Claro que, ao conhecer, as diferentes épocas e histórias da DC, sua experiência será ainda melhor. Mas, Convergência também é uma ótima oportunidade para conhecer tudo que você ainda não conhecida.

Com Convergência a DC tenta mostrar que, todos os Universos DC ainda existem, e cada cidade representante desses infinitos mundos foram capturadas por uma inteligência artificial chamada Telos. Criado pelo primeiro Brainiac, Telos tem trabalhado para todos as versões do Brainiac que já existiram no Multiverso.

O último e mais recente mestre de Telos foi o Brainiac dos Novos 52: O Fim dos Futuros, que desapareceu misteriosamente após tentar adquirir a cidade de Metrópolis na linha do tempo em que estava – complicado não? Por isso, para ter o máximo de detalhes possíveis de Convergência ainda é necessário ver Novos 52: O Fim dos Futuros.

Na ausência de Brainiac, Telos chega a uma conclusão e executa um majestoso plano: capturar grandes cidades que existem ou já existiram no Multiverso antes de serem extintas e fazer com que elas lutem umas contra as outras até sobrar apenas as cidades dignas de permanecerem vivas.

Uma solução inteligente e ao mesmo tempo preguiçosa de apresentar todos as cidades favoritas do público de volta, e uma tentativa de dizer “olha, eles um dia se foram, mas há meio de trazê-los de volta e Telos fez isso”.

Assim Convergência foi dividida em 8 semanas, em grupos de dois. As quatros primeiras semanas introduzem a história para cada revista, e as quatro últimas continuam as histórias iniciadas anteriormente.

Na primeira semana e quinta semana são apresentados os personagens entre os eventos de Zero Hora até Flashpoint. Na segunda semana e sexta semana, temos personagem entre Crises nas Infinitas Terras e Zero Hora. Para a terceira e sétima semana, somos apresentados aos personagens da Crises nas Infinitas Terras. E a quarta e oitava semana fica por conta de tudo que veio antes de Crises nas Infinitas Terras – simples, não acha?

Convergência se sai bem nas quatro primeiras semanas, apresenta cada uma das cidades capturadas por Telos, aborda como tem sido a vida delas presas por uma espécia de Domo para que não escapassem. E por fim, apresenta cada um dos combatentes, mostrando aos poucos quem luta com quem para protegerem suas cidades e sobreviverem.

Parando por ai, a fase introdutória de Convergência tem os seus méritos. Cria boas expectativas para os fãs sobre o que virá a acontecer nas últimas quatro semanas e mostra que tem potencial para construir um grande enredo.

Entretanto, neste momento que Convergência falha, no enredo não há nada de majestoso a princípio e Telos não é um grande vilão, nem bem desenvolvido. Apesar das falhas, a primeira parte do evento Convergência merece atenção, há vários momentos empolgantes e você consegue rever vários personagens que tiveram destaque ao longo dos anos.

 

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Convergência começou prometendo uma batalha entre diferentes cidades de diferentes mundos do Multiverso DC. O juiz das batalhas era Telos, detentor do planeta que não pertence a nenhum Multiverso e onde as cidades foram realocadas por Brainiac.

As revistas paralelas – Batman, Superman, Mulher Maravilha, etc – se concentraram nas batalha de cada cidade, apresentando seus desfechos nas últimas semanas do evento. A sensação que as primeiras semanas de Convergência deixou de batalhas épicas prestes a acontecer foi algo que não se concretizou na maioria das revistas.

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De certa forma, o evento foi uma espécie de fan-service mostrando vários personagens abandonados e favoritos pelo público.
Apesar de contar com muita ação e grandes lutas, várias revistas trouxeram um desfecho clichê e, por vezes, frustante de tão simples. Apenas os grandes títulos conseguiram trabalhar com os elementos que estavam a disposição dado o potencial que o roteiro permitia. As demais, foram apenas uma espécie de fan-service para rever personagens favoritos do Multiverso.

Por outro lado, a revista principal do evento, trouxe reviravoltas na história, mudando toda a primeira impressão deixada. Telos já não é mais o mesmo do início, Brainiac ganha destaque e um novo grande vilão começa a ter presença nos acontecimentos da saga.

Convergência faz o que um evento como tal precisa fazer, apresenta, próximo ao seu fim, uma batalha de proporções épicas utilizando os grandes heróis e vilões do Multiverso DC. A batalha porém é rápida demais, o grande momento que a saga poderia ter fica apenas nas imagens e na imaginação do leitor.

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Presencie uma batalha com diversos heróis e vilões do Multiverso!

De qualquer forma, Convergência tem uma contribuição importante para o Universo DC como um todo, apontando os próximos passos. Mas ao mesmo tempo que tudo muda, não muda nada, pelo menos por enquanto. O final de Convergência deixa claro dois aspectos principais: a linha temporal dos Novos 52 continua valendo; e a Crise nas Infinitas Terras nunca aconteceu.

Sim, um dos eventos mais épicos, memoráveis e inesquecíveis da década de 80 para os quadrinhos, simplesmente nunca aconteceu. Mas, foi apenas um mal necessário para que a liberdade criativa volte a pairar sobre as aventuras dos heróis.

Para os efeitos de Convergência nas próximas edições da editora há duas considerações: uma vez que a Crise nas Infinitas Terras nunca aconteceu, então o Multiverso voltou a existir completamente; todas as publicações de agora em diante, mesmo estando na linha temporal dos Novos 52 poderão utilizar qualquer Multiverso em suas histórias, ou até mesmo criar novos.

Assim, retomando ao que foi dito, agora todos os criadores da DC Comics terão uma enorme liberdade criativa para suas histórias. O novo lema da DC é apresentar histórias que realmente sejam incríveis. Não há mais cronologia que precise ser respeitada, há o Multiverso reestabelecido. Enquanto para iniciantes é bom, para experiente poderá ser confuso.

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Com Convergência todo o Multiverso está de volta!

Por fim, Convergência conquista seus méritos, mas não se torna tão memorável como Crise nas Infinitas Terras, Zero-Hora ou Flashpoint. Está mais para apenas uma alternativa de solução viável que consiga alinhar a nova proposta da editora nas revistas atuais. Se os Novos 52 vai continuar? Vai sim.

Junho de 2015 – Site – O Super Nerd