Crítica –  O Triunfo da Vontade (1934)


imagem7_silvio

 Hitler  paz e amor : um lobo na pele de cordeiro

Este clássico documentário mostra o monumental congresso anual do partido nacional socialista alemão (NSDAP) realizado em 1934  protagonizado pelo Führer na iminência de assumir o controle do país e provocar a Segunda Guerra Mundial.O  partido nazista tinha os mesmo ideais centralizadores do governo brasileiro atual (executados aqui de forma primaria e amadora felizmente).No entanto, os socialistas e comunistas daqui  abominam o regime nazista  não pelas atrocidades cometidas  , mas por ele  ter  combatido a União Soviética de Stalin , um líder tão cruel quanto o ditador alemão.

 

600.triumph_of_the_will_crowd

O documentário exibiu todo o poder militar do exército germânico preparado para guerra que estava por vir em discursos concisos  e apaixonados- cheio de palavras de ordem-,   uma  retórica contundente abafada as vezes por gritos e frases de efeito, repetidas na ponta da língua pelos cegos fiéis dogmáticos(muito parecido com um culto religioso). Um  repleto ambiente de bandeiras tremulando a suástica preta envolto ao vermelho vibrante em um barulho ordenado da marcha de milhares de soldados.Finalmente,  chega ao palco o grande líder carismático em seu discurso partidário inflamando a guerra  e a revolução prometida aos pobres trabalhadores e camponeses- sempre de cabeça erguida – programados para operar mecanicamente sem nunca inclinar a cabeça para filosofar ,raciocinar e pensar no genocídio  cometido alguns anos depois

Já sabendo disso o vacinado  povo brasileiro parece que não irá cometer o mesmo do  povo alemão combatendo desde já os políticos criminosos e corruptos.Nota :4,0. Nota - 04

86_2017-Triunfo da Vontade

A Diretora

“Adolf Hitler sai sorridente e é ovacionado pela multidão. Tudo é gigantesco: são paradas, desfiles monumentais e discursos para um público em total catarse. Um espetáculo cinematográfico hipnótico e terrificante que retrata, com imagens fortes, toda a pompa (e a barbárie) do regime nazista.”

“Leni Riefenstahl – Cineasta oficial do partido Nazista, ao qual nunca se filiou, Leni dispôs de grandes recursos para realizar este documentário e criar efeitos grandiosos. Ela dirigiu também Olimpíadas (Olympia), sobre os jogos Olímpicos de 36, em Berlim, cidade onde nasceu.Uma artista completa, Leni era bailarina, atriz e sabia dirigir, editar, produzir e escrever.Trabalhou com foto-jornalismo durante a Segunda Guerra Mundial e foi presa pelos aliados e acusada de fazer propaganda nazista. Desde 52, quando foi inocentada, tem colocado novamente seu grande talento e criatividade a serviço do jornalismo” Filmow.

triunfo-da-vontade

“Em 1933, o partido Nacional Socialista de Hitler assume o poder na Alemanha e o Führer, impressionado com o talento e o vigor de Leni, a convida para ser sua cineasta de confiança.Leni deu um toque de profissionalismo e talento ao filme documentário político alemão”. Ebah

imagem9_silvio

A Construção do Mito

“Este foi o mais crucial congresso do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista), de 4 a 10 de Setembro de 1934, na cidade de Nuremberg. É ali que acontecem os congressos do Partido Nacional Socialista desde sua fase ainda embrionária, em 1927, repetindo-se em 1929 e, depois, já com Hitler no poder, anualmente de 1933 a 1939, quando tem início a Segunda Guerra Mundial. Nuremberg, a cidade quase milenar lembra aos alemães a promessa de Adolf Hitler, a de construir um novo Reich, um império para durar outros mil anos.

imagem2_silvio

O formato do avião lembra a sombra de um grande pássaro, remetendo os alemães à imagem da águia, o símbolo do Império Romano, animal que representa em diferentes culturas o Ser Divino porque pode voar junto ao sol, e que agora é adotado como símbolo, ao lado da cruz gamada, a suástica, do Nazismo.

A águia, símbolo de força e beleza, que circula entre o céu, morada dos deuses, e a terra em que vivemos, em algum momento lá atrás, na pré-história, conquistou do homem primitivo a posição de porta-voz divino. E a manteve durante reinos e impérios, nas mais diversas culturas, das pradarias do Oeste americano, às estepes siberianas.

Leni Riefenstahl soube trabalhar na narrativa audiovisual esses mitos, as duas simbologias, a pré-cristã, representada pela águia, e a cristã, pela cruz, dando movimento a elas na linguagem audiovisual. Como a águia dos pagãos, a cruz dos cristãos também fala forte ao povo alemão. E ambas indicam a mesma coisa: o ser divino, o enviado, o Messias, retorna do céu para acabar com o sofrimento do povo, com a vergonha da derrota na 1º Guerra Mundial, com a divisão de partidos fracos e corruptos, com o risco de caos social, com a crise econômica e o desemprego, com o medo do avanço vermelho sobre a Alemanha. Adolf Hitler, que encarna esse Messias do povo alemão, merecia ser retratado assim aos olhos da diretora.

E por fim, mas não menos importante, a águia nunca é representada sozinha. O pássaro que voa até o sol, símbolo maior da divindade, segura a seus pés a suástica, a cruz gamada, representação ancestral do mito solar, da força divina que faz jorrar a vida sobre o universo.

1936725-3070-atm14

O braço erguido e o grito de “heil” nada tem de novo. A saudação vem na verdade de Roma. Os césares eram saudados assim pela população quando apareciam em público. O “Ave Cesar“ tem uma conotação nitidamente religiosa. César é a representação viva dos deuses. Um Deus que deve ser adorado na forma humana. Portanto, o ave em latim, ganha a conotação de um salve com tom sagrado.

Da mesma forma em alemão, o heil tem um claro significado religioso; o Ave Maria, em alemão vira Heil Maria. Saúda-se, portanto, o novo Messias da mesma forma como os católicos oram em alemão para a mãe de Deus, ou como as demais denominações cristãs se referem aos atos divinos.

Eva Braun foi a mulher  com quem Hitler se casaria em maio de 1945, pouco antes de se matarem no bunker em Berlim. Ela era uma comerciária a quem ele foi apresentado logo após o suicídio de sua sobrinha e então companheira ainda em 1932, dois anos antes. Assim como ser vegetarianismo e adquirir hábitos de não fumar e não beber, a recusa em se casar projetava uma imagem de elevação acima do humano normal.

imagem5_silvio

Em meio às saudações com a mão direita erguida, os camponeses apresentam a Hitler os frutos da colheita. Uma cena sem sentido? Não, na verdade, ela representa a reconstituição das tradições pagas ligadas aos ciclos do planeta. A Terra oferece o sustento das populações na forma do alimento que fertiliza e faz crescer. Os deuses que cuidam das estações, da chuva, do sol, da própria fertilidade da terra, enfim, merecem um agradecimento. E as comunidades humanas, desde o Neolítico, oferecem a esses deuses frutos da primeira colheita. A tradição germânica, perdida com a ascensão do Cristianismo é agora retomada. Os muitos deuses pagãos são incorporados agora pelo Übermensch, o super-homem nietzschiano.Aquele, que no início do documentário, chega dos céus trazendo esperança, recebe as oferendas de seus crentes.

image_large

Extermínio dos Opositores

Apenas 19 meses antes, nas eleições de 5 de março de 1933, os nazistas conquistaram a vitória com 17 milhões de votos, mas os partidos de esquerda, entre eles os marxistas, conquistaram nada menos que 12 milhões de votos. A eleição mostrou que Hitler e seu partido tinham ainda forte oposição no eleitorado. Em 1934, essa falta de consenso das urnas soma-se à uma disputa de poder dentro do próprio partido. Ernst Rœhm, companheiro de primeira hora de Adolf Hitler e criador das forças de assalto, as temidas SA (Sturmabteilung), que realizavam ataques constantes a militantes de outros partidos, exigiu de Hitler o cargo de Ministro da Defesa e o controle sobre o exército alemão, de apenas cem mil homens contra os 3 milhões de milicianos paramilitares das SA.

PDVD_044

Temendo perder o controle do partido para Roehm, Hitler ordenou o massacre das lideranças da SA, aproveitando-se para eliminar também outros opositores políticos, como o líder da Liga Católica Alemã. Na “Noite dos Punhais Longos”, em 30 de junho de 1934, e nos dias seguintes, 85 pessoas presas e assassinadas. Hitler justificou o massacre à sociedade dizendo que foi uma forma do estado se defender de traidores, amparando-se em documentos falsos que mostrariam que Roehm receberia subornos da França para tirar Hitler do poder.

A águia de asas abertas, símbolo do poder, surge com as garras segurando a suástica, símbolo estilizado do sol, mas que, em vez de lançar seus raios de criação para o lado direito, no sentido horário, como a suástica solar, padrão mais tradicional de sua representação, aparece em ângulo invertido, lançando os raios para o lado esquerdo, a chamada suástica lunar, apresentada ainda com um agravante: um dos raios está apontado para baixo, o que as sociedades teosóficas interpretaram como sinal de que Adolf Hitler governaria com as forças da involução.

imagem6_silvio

O renascimento é representado por aquele que é a união de dois mitos, o do messias e do herói. O Messias, o que vem do céu na forma de águia ou de cruz, aparece na narrativa audiovisual de Leni Riefenstahl como o divisor de águas da Alemanha, tal qual Moisés abrindo o mar Vermelho. Já o herói é aquele que com determinação supera os percalços do passado e as humilhações que enfrentou, numa reprodução do que foi vivido por todo o país após a derrota na 1º Guerra, para apresentar ao povo a esperança de um futuro melhor. A teatralidade presente nos discursos e na encenação em torno da aparição do líder reforça a personalidade carismática e messiânica. Ele e somente ele era um indivíduo em meio às massas de operários, milicianos, do povo. Ele era o Führer, que deveria ser admirado de forma obedientemente cega.

 

triunfo-da-vontade-1935

Obediência que Leni levou ao pé da letra, ao retratá-lo como um Deus, o novo guia espiritual da Alemanha. Dessa forma, Leni, aclamada como um dos mais importantes cineastas da história, mas que não escapou do julgamento da própria história, recebendo pelo resto da longa vida a pecha de cineasta de Hitler ou a deusa imperfeita, cumpriu com absoluto rigor técnico o objetivo de retratar a grandiosidade do regime nazista e de enaltecer a figura de Hitler”. Associação Brasileira de Cinematografia.

 

1449961227_064225_1450122779_sumario_normal

O Nazismo na Visão de George Lucas 

“Para entender a enorme sedução que as construções de Riefenstahl produziram basta um exame mais cuidadoso de alguns filmes hollywoodianos de sucesso – será fácil perceber a influência de O Triunfo da Vontade. A entrada dramaticamente coreografada dos três líderes nazistas inspirou claramente George Lucas em uma das cenas finais de Guerra nas Estrelas – O Retorno do Jedi (1983); as tomadas aéreas de Gladiador (2000) foram confessadamente influenciadas pelo filme alemão; e as imagens de tropas em formação, filmadas em câmera alta, plongé, à espera do discurso motivador de seu líder, é hoje amplamente utilizada nos mais diversos e recentes filmes épicos, como de Coração Valente (1995) a Cruzada (2005)”. Revista Cinética.

star-wars-first-order