Cinema.Estreias da Semana.24.12.15

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Cores e profecias da tragédia anunciada

Macbeth: Ambição e Guerra é uma das melhores e mais fieis versões do  dramaturgo inglês para o cinema.Fiel a peça dentro do possível, usando todo o inglês arcaico do início da era medieval aliado a uma beleza poética insubstituível;época da formação dos reinos e da reorganização da sociedade conhecida. Um belo cenário desértico e multicolorido onde a população miserável dormia ao relento enquanto os soldados guerreavam entre si pela posse dos poucos  reinos conhecidos , caracterizados por um imenso e luxuoso castelo. As cores fortes da produção destacadas em vermelho e preto sugerem o sucessivo banho de sangue da era trevosa que duraria cerca de dez séculos. Lá, três videntes ou as popularmente chamadas feiticeiras profetizam o futuro reinado desgraçado de Macbeth( Michael Fassbender) ainda sob a administração do bondoso Rei Duncan(David Thewlis). A morte do rei pelo seu mais fiel escudeiro teve influencia direta da esposa “serpente” Lady Macbeth(Marion Cotillard ) provocando a ruína do solido reinado. Macbeth: Ambição & guerra (Macbeth, Reino Unido, EUA, França, 2015), de Justin Kurzel (Assassin’s Creed). Drama. 113 min. Nota :4,0.Nota - 04

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A vida pelo direito de votar

Inspirado no movimento sufragista do final do século XIX e início do XX, na Inglaterra, o drama  retrata a vida de um grupo de mulheres que resistia à opressão de forma passiva, sendo ridicularizadas e ignoradas pela sociedade. A partir do momento em que começam a encarar uma crescente agressão da polícia, elas decidem se rebelar publicamente. Pior do que  a resistência natural do governo era a incompreensão dos respectivos  maridos .Lá como em todo mundo as mulheres trabalhavam em condições insalubres, análogas  a de um escravo recebendo 1/3 a menos do que os homens.Esta longa caminhada que ainda está longe de terminar começou pelo direito ao voto ou melhor, pelo direito de exercer a cidadania, lutando por uma sociedade mais justa e caridosa,  em igualdade de direitos e oportunidades.Os grandes mártires femininos da nossa história á exemplo da notória  líder Joana d’Arc, hoje são a prova viva de que elas não morreram em vão. Com Carey Mulligan, Meryl Streep, Helena Bonham Carter.As sufragistas (The suffragettes, Reino Unido, 2015),de Sarah Gavron. Drama. 106 min. Nota :4,0 .   Nota - 04

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Sinais do prazer

Estórias paralelas sobre casais e pessoas solitárias com problemas sexuais.No entanto, só as duas últimas valem á pena assistir. Na primeira, a esposa  dá sumiço ao cachorrinho da casa  porque ela só se satisfaz na cama quando o marido chora (ridículo). Na segunda,uma brincadeira entre um casal vai tão longe que acaba não tendo nada a ver com sexo.Tem a da mulher cuja fantasia sexual é ser estuprada de súbito pelo marido, três tramas descartáveis e para lá de previsíveis.As que interessam realmente, é a do marido que dá sonífero á esposa para ela parar de reclamar toda vez que ele chega em casa;isso demanda varias noites mal dormidas,única oportunidade que ele encontrou de estar prazerosamente ao lado dela, o que acaba prejudicando o seu rendimento no trabalho no dia seguinte. Por fim , o melhor conto sem dúvida alguma, é o do mudinho que contrata uma atendente especializada em linguagem de sinais por Skype para que ela traduza, toda constrangida, a conversa promíscua por telefone entre ele e uma prostituta.Um conto emocionante que carrega o filme nas costas. A pequena morte (The little death, Austrália, 2015), de Josh Lawson ( Os Candidatos) .Comédia.96 min.Nota :2,0.  Nota - 02 

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Amor bandido  depois da balada

Aplaudido no Festival de Berlim o longa dirigido por Sebastian Schipper  desenvolve um plano sequencia de 134 minutos sobre uma inexperiente jovem espanhola (Laia Costa) há 3 meses na capital alemã . Com diálogos improvisados a trama se destaca em virtude das cenas traseiras em close, semelhante aos multipremiados Birdman e O Lutador. Logo após deixar a balada ás 4 da manhã, Victoria é cativada por uma gangue de quatro desocupados que irão mudar sua vida para sempre. Devido a infância rígida e tradicional a simpática madrilenha que não domina o idioma local , adere ao universo fascinante dos aventureiros imediatistas  em busca da liberdade que nunca teve.Uma paixão  momentânea e desenfreada como a de uma águia careca, o que pode lhe  custar a vida ou tudo aquilo que ela conquistou até agora . Victoria (Victoria, Alemanha, 2015), de Sebastian Schipper. Drama.134 min.Nota :3,5.Nota - 3,5