Crítica – STAR WARS REBELS – 1ª TEMPORADA

Por Guilherme Souza Via Portal Caneca

Enquanto os responsáveis por Star Wars no cinema pensavam em como trazer a franquia à tona novamente (após a morna nova trilogia), na televisão o sucesso era concreto. Star Wars: The Clone Wars era uma animação completíssima, misturando novos personagens e arcos com muito da atmosfera que víamos nos episódios IV-IV. A nova animação da franquia, Star Wars Rebels, é uma continuação do belo trabalho feito até aqui.

Inovação e Homenagem

A série se passa no espaço de tempo entre os episódios III e IV, mostrando como o Império iniciou seu domínio, ao mesmo tempo em que as células rebeldes começam a aparecer.

Nesse ponto, somos apresentados aos personagens, com foco em Ezra Bridger, um garoto que acaba entrando na disputa entre o Império e um grupo de rebeldes por acaso, e se junta a eles para enfrentar o inimigo.

Apesar de focar no público infantil, a trama é bem completa e, muitas vezes, adulta. A evolução da luta entre os dois núcleos cresce de forma exponencial, indo das ameaças divertidas, normalmente com stormtroopers, até inimigos realmente perigosos, como o grande vilão da temporada, o Inquisidor. E nesse meio temos todo o trabalho de desenvolvimento de personagens, com Ezra iniciando o caminho para se tornar um jedi e tendo que enfrentar diversos desafios ao longo dele. Uma representação fácil de se relacionar, principalmente para o público mais jovem, que se enxerga facilmente no personagem, especialmente por ele não trazer aquele arquétipo de um herói puro.

star wars rebels inquisidor

Com essa trama planejada, Star Wars Rebels conseguiu inserir inúmeras homenagens e elementos da franquia para atingir o público mais adulto. Temos diversas participações especiais, como Lando Calrissian,Yoda, Grand Moff Tarkin, Darth Vader e o Senador Organa, todas muito bem mescladas à trama. Além disso, diversas cenas e episódios são diretamente baseados na trilogia original, como o belíssimo episódio Path of The Jedi, dedicado a mostrar Ezra entrando em uma caverna como a de Luke em O Império Contra-Ataca, com participação de Yoda, ou as cenas de batalha entre o Inquisidor, Kanan e Ezra no episódio final, com elementos que remetem a lutas vistas nos episódios I, V, VI. Some tudo isso à trilha sonora, e os corações de inúmeros fãs foram conquistados.

Os Rebeldes

O que faz a trama evoluir bem e tanto novos quanto velhos fãs se apegarem a série são, sem dúvida, os personagens. O grupo rebelde formado por Hera (uma talentosa piloto), Kanan (um jedi malandrão), Zeb (um brutamontes bobo), Sabine (uma garota dedicada à tecnologia), Ezra e Chopper (um R2-D2 de cor diferente) é bem diverso, cheio de personalidades diferentes, e traz diversas semelhanças com o grupo original da saga. A química entre todos eles funciona muito bem, misturando um pouco de seriedade com muitas brincadeiras, algo que funcionava nos anos 80 e funciona tão bem ainda hoje. Além disso, a ideia de apresentar esse grupo isoladamente, sem outras células rebeldes na temporada, torna mais fácil se apegar à série, criando uma ligação básica com o público antes de expandir o universo.

star wars rebels personagens

Star Wars Rebels é mais um acerto da Disney e da saga na televisão. A proposta de pegar elementos da velha trilogia e misturar com a atmosfera de Clone Wars funcionou muito bem, tanto para atrair a velha guarda quanto um público novo e bem mais jovem. A série não se deixa levar por didatismos básicos e simplismos, focando em contar uma boa história sem medo de trazer tramas e questões mais profundas, ou mostrar uma ou outra cena mais chocante. Há um potencial bem grande ali. Vamos ver quais serão os próximos passos dessa jovem aliança rebelde, agora contra um inimigo bem mais conhecido e icônico.

star wars rebels crítica

Revisão: Thaís Freitas Rodrigues