A Série Constantine é Mito ou Realidade?

Crítica | Constantine [1ª Temporada]

Introdução

Por incrível que pareça a série  iminente de ser cancelada se não for para outro canal , assemelha-se aos espíritos trevosos do submundo que estão no meio de nós.

Na verdade, mitologia eram as chamadas historias simbólicas transmitidas oralmente, já que não existia escrita;todas elas bem próximas á realidade do cotidiano daquela cultura e daquela época.Hoje, depois de tanto tempo a culpa e a dificuldade é nossa em interpretá-las. Pois, espíritos,mediunidade, amuletos e anjos da guarda existem desde o começo dos tempos. Ocorre que todos esses fenômenos e personagens vem sendo deturpados devido á interesses político-religiosos deixando a humanidade cada vez mais cética;criando um abismo cada vez maior entre a ciência e a religião.Todavia,aos poucos, as pessoas irão conectar os fatos,até não ter mais como negar.

O grande problema da série foi a falta de conexão entre os episódios,o principal trunfo em relação a um longa metragem.Espectro – O Espírito da Vingança tinha tudo para aparecer, dando inicio a uma possível formação da Liga Sombria,alento para o futuro longa metragem de Guillermo del Toro. Uma pena!

Nota - 03

A Trama Via Site : Nerd Duty

Série do mago mais conhecido e politicamente incorreto do Universo DC carrega uma áurea de erros e tropeços em seu roteiro, mas acerta na escolha do elenco, com Matt Ryan interpretando o personagem título, e na adaptação da essência dos quadrinhos.

Em 2014 tivemos uma invasão de super-heróis e personagens dos quadrinhos invadindo a TV. ComoConstantine está entre essas figuras mais adoradas pelo público, a Warner não perdeu tempo e lançou a série do mago através do canal Space, comandada por David S. Goyer, roteirista de grandes filmes da DC.

A expectativa foi enorme em cima dessa série. Além da legião de fãs que já veneravam o personagem por causa da série Hellblazer do selo DC/Vertigo, o nome Constantine ganhou a admiração de um público não nerd através do filme Constantine de 2005, estrelado por Keanu Reeves.

Mas o sucesso dessa série já estava destinado a ser um fiasco logo no vazamento do episódio piloto, recebido por críticas negativas e submetido a um processo de refilmagens. E no decorrer de seus episódios, os baixíssimos índices de audiência impediram que o programa tivesse uma escala maior de capítulos e a confirmação de sua segunda temporada até então não aconteceu.

Mesmo com David S. Goyer no comando, os idealizadores não souberam conduzir a trama com uma certa linearidade. Cada episódio tinha o seu próprio arco de história, com início, meio e fim e que não se conectavam direito com o pano de fundo da trama, As Trevas Ascendentes. Um mapa com pontos de sangue servia como guia para John e sua equipe descobrirem qual era o próximo caso. De alguma forma esses casos isolados tinha alguma ligação com esse mal em ascensão; a utilização do acessório acabou se tornando um clichê dentro da série, algo que foi deixado de lado nos últimos episódios.

A escolha de Matt Ryan para interpretar o personagem principal foi o maior acerto do programa. Ele consegue trazer ao Constantine todo ar de trapaceiro, pilantra e sacana que sua figura possui. As caras e bocas que ele faz, seus trejeitos e seu sotaque inglês funcionam como um trunfo para seu trabalho. O que a série erra no roteiro, acerta em atuação. Michael James Shaw é a contraparte de Constantine, seu arquirrival Papa Meia-Noite; o ator é incrível, conseguindo dar ao feiticeiro todas as feições necessárias para crermos no quanto ele odeia John e tudo que ele representa.

A equipe de Constantine, por sua vez, tem seus altos e baixos. Chas Chandler, muito bem interpretador por Charles Halford, é o parceiro de John que mais funciona nas missões. A imortalidade desse personagem gera uma curiosidade muito interessante sobre suas habilidades que é em Quid Pro Quo, décimo episódio que explora mais da personalidade e do passado de Chas. A vidente Zed Martin (Angélica Celaya) não convence logo de cara e sua química com John demora a aparecer. Sua presença no programa começa a ficar interessante quando a trama da Cruzada da Ressurreição começa a ser adaptada no programa. Infelizmente esse arco não foi finalizado, assim como as Trevas Ascendentes, gerando uma certa expectativa para aqueles que acompanhavam a série para uma segunda sessão. O anjo Manny (Harold Perrineau), que eventualmente auxiliava John em seus casos, tem a mesma trajetória que Zed, chegando a ser até irritante em alguns momentos com suas aparições repentinas. É apenas nos últimos episódios que, ao descobrirmos alguns fatos sobre sua natureza, é que o personagem fica mais interessante.

Não foi apenas o sotaque inglês, os trejeitos corretos de Matt Ryan e o uso de cigarros e bebidas que tornou esse Constantine autentico para o público. Elementos da história, de sua origem, foram mantidos. A tragédia ocorrida em Newcastle com Astra, Nergal e os amigos de John são mantidas e até mesmo bem trabalhadas. O mago consegue deixar transparecer toda dor que sente com seu passado, isso inclui eventos mais anteriores ainda como uma banda de rock, no qual fazia parte, e a morte de sua mãe. É foda ver Matt chorar e expressar sentimentos pesados. Vale lembrar que em alguns episódios, amigos do passado de John dão as caras, como Gary Lester, Anne Marie e Ritchie Simpson. Suas participações trouxeram à tona camadas do velho Constantine em confronto com o “herói” que encontramos na série.

Se for para citar todas as referências e easter eggs que a série faz do Universo DC como um todo, seria necessário outro artigo para relatar os detalhes minuciosos. Mas é impossível não prestar reverencias a participação de Jim Corrigan em dois episódios. Pra quem não sabe, ele é o futuro Espectro. Quem conhece as HQs sabe o quanto é grandioso ver personagens que você aprende a amar aparecendo, mesmo que sejam como coadjuvantes, em alguma forma de mídia alternativa. Um outro grande personagem da DC que também deu as caras foi o vilão Félix Fausto, apesar de ser em apenas um único episódio. Esse antagonista merecia um tratamento mais digno, afinal ele é um inimigo da Liga da Justiça.

Aclamados também devem ser alguns episódios específicos, como A Feast of Friends que adapta Hellblazer #01 trazendo todos os elementos que ajudaram a tornar essa edição piloto memorável, como Gary Lester viciado e pessoas devorando tudo que veem pela frente, literalmente. The Saint of Last Resort, divido em duas partes, é um dos que mais prendem a atenção do espectador por possuir uma certa linearidade e inserir na trama elementos como a brujeria, ivunches e um John Constantine possuído por um demônio, tendo mais uma vez Matt Ryan impressionado pela sua atuação. O último episódio, Waiting for the Man, também adapta um arco direto dos quadrinhos e apresenta um dos episódios mais sombrios da série, ao lado de Blessed Are the Damned, onde um pregador havia ganhado a habilidade de curar enfermos em sua congregação.

Viram? Se analisarmos cada episódio separadamente não encontraremos tantos problemas assim. Agora, vendo a série como um todo, o seu roteiro falha ao não saber elaborar a conexão necessária com a trama central. O que motiva um espectador voltar na semana seguinte é o suspense e a curiosidade em saber o que vai rolar no episódio seguinte. Se o capitulo começa e termina ali mesmo, que expectativa eu tenho para a próxima semana?

Se o programa ganhará uma segunda temporada, ninguém sabe. Como fãs queremos que Constantine tenha uma segunda chance e que as pontas soltas da história sejam terminadas dignamente com o roteiro acertando a mão em seu segundo ano. Constantine merece uma segunda oportunidade, pela atuação de Matt Ryan e pela oportunidade de vermos o lado místico do Universo DC estabelecido na TV.