NOS DOMÍNIOS DA ESPIRITUALIDADE

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Quando, em 1988, o segundo observatório, Keck II de Mauna Kea – Havaí – detectou as primeiras forças do Universo conhecidas como “peso sem massa” atuando na poeira cósmica em torno da estrela Alfa-Centaurus para elaborar corpos celestes, um novo estudo astrofísico passou a tomar corpo com novas idéias a respeito da formação do Universo.

A essa altura, o astrônomo norte-americano Edwin Powell Hubble, falecido em 1953, já havia verificado a curvatura celeste e a expansão do espaço cósmico, modificando por completo todas as velhas teorias relativas à formação do Universo. Inclusive, destruindo a idéia de que a origem do nosso sistema tenha sido uma grande explosão denominada “Big-bang” a partir do qual nosso sistema teria se expandido e se formado sob sua ação.

Evidentemente, as doutrinas religiosas, estabelecidas sob dogmas e tendo Deus como “culpado” de tudo o que exista, não podiam aceitar as novas afirmativas sobre o Universo constituído dentro do espaço sideral sendo considerado pulsante e anisotrópico, o que dá fim à hipótese de que Deus o tenha feito em sete períodos ou dias bíblicos. Ele já existia anteriormente. Apenas, voltou a se desenvolver dentro de novo ciclo.

A par disso, sua existência – portanto, dita cíclica – leva à hipótese de que em fases anteriores, tudo o que há atualmente mergulhado em sua vida cósmica já ocorrera nas ditas fases anteriores e assim, a teoria de que o homem fora criado para habitar a Terra não mais encontraria justificativa na simples e mera alegação da “vontade divina”.

As religiões perduram e resistem às verdades científicas porque a grande maioria da população terráquea necessita da crença para enfrentar a vida em si. O próprio Cristianismo, com suas falhas gritantes, ainda é uma das crenças menos dogmáticas embora arregimentando uma grande massa de adeptos ávidos e carentes de proteção, apelando para uma figura divina que consideram como sendo Deus Criador, responsável por sua existência, Entidade esta que, apesar da grandeza do Universo, só estaria preocupada com as criaturas humanas.

Todavia, sendo espiritualistas, ainda não conseguiram explicar o que, de fato, seja o Espírito humano, como e onde habita ou fica, fora do mundo dito material. Seus dogmas ainda são uma terrível barreira para compreenderem as novas descobertas astronômicas.

Como vão entender a formação de um domínio de existência onde estes seres imateriais possam ficar? Por isso, os estudos do “peso sem massa” trazem uma nova verdade a respeito desse aludido domínio onde os Espíritos habitariam. Eles estariam embutidos na existência do próprio Universo e viveriam dentro dele como formadores da sua constituição.

No Oriente surge uma nova doutrina baseada nessas descobertas e que teria no Espiritismo tal como Kardec codificara a única forma doutrinária compatível com seus postulados. Para entendê-la, porém, temos que fazer uma pequena regressão aos estudos da equipe de Palomar que manipula os telescópios havaianos.

Sten Odenwald, tentando explicar as novas descobertas, compara o Universo com uma tina cheia de espuma de sabão. Na verdade, ela não está cheia da espuma, senão de bolhas onde a aludida espuma, apenas, forma as películas que contêm em seu interior o ar.

Também o Universo é formado por algo semelhante onde, apenas 27% do seu conteúdo são de energia dita cósmica (domínio material) e o restante dos 73% é composto de “nada” em relação a esta energia. Deste nada surge o “peso sem massa” que atua no Universo dando-lhe forma e vida sideral.

A nova concepção doutrinária oriental, traduzida em nossa linguagem espiritualista representaria o que corresponde ao domínio de existência dos agentes espirituais. E o que seriam esses agentes? Simplesmente representam os aludidos “agentes estruturadores” proposto por Murray Gell Mann como causa da formação das partículas elementares dos átomos. Só que, aqui, tais “agentes” vão deste a simples forma atuante que é capaz de agir sobre a energia cósmica e estruturar uma sub-partícula elementar do átomo até as formas espirituais mais adiantadas, capazes, aqui na Terra, de dar origem à vida biológica e quiçá no Universo, materializar vidas superiores às nossas.

Em síntese, tais agentes estruturadores seriam os correspondentes respectivos à formas e estruturas existentes dentro do mundo material, desde a mais elementar partícula subatômica até a vida humana, evidentemente, tendo, para cada formação estrutural um agente adequado e correspondente.

Isto explicaria, sem dúvida, a formação do Universo com suas formas e vidas.

Para tal, os orientais admitem a existência de um domínio das formas que, para nós seria a aludida Espiritualidade. Como tal, ela existiria dentro do próprio Universo e não lhe seria estranha, já que corresponderia aos 73% do domínio ainda desconhecido dos aparelhos ópticos dos observatórios astrofísicos.

Mas tal estudo foge inteiramente aos interesses das doutrinas ligadas ao Cristianismo que têm em Jesus o grande salvador, guia, mestre e que mais, a ponto de ser considerado por muitos – ou pela maioria – como sendo o próprio Guia do planeta Terra, senão Deus encarnado.

Evidentemente, as descobertas científicas reduzem qualquer humano, mesmo que endeusado, a uma vida simples e biológica porque o sistema universal é perfeito e não admitiria exceções, nem mesmo e principalmente para Jesus.

Portanto, os novos conhecimentos científicos estruturam uma nova corrente – onde o indiano Amit Goswamy é um dos conhecidos em nosso país – de doutrina que reformula tudo aquilo que, até então é aceito pelas doutrinas cristãs do ocidente.

Até mesmo o movimento espírita brasileiro estruturado em mensagens mediúnicas de Entidades ligadas á Igreja – um padre jesuíta e uma freira – ruiria por terra ante as novas descobertas porque não encontrariam amparo científico nessas novas descobertas.

Talvez Kardec sobrexista em sua pureza doutrinária, mas teria que ser atualizado em sua linguagem, substituindo os termos da sua época correspondentes ao conhecimento que tinham pelos atuais, onde não pode existir duplicidade de conceitos, como no caso da energia, que, no século XIX era tida como sendo fluida bem como tudo aquilo não sólido, isto é, ser um fluido que, atualmente, só define os gases e os líquidos, além de outros conceitos, como a energia elétrica e que mais. E outros mais que foram modificados ante os novos conhecimentos.

Infelizmente, todavia, a humanidade necessita da existência do sobrenatural, do Deus humano, antropomórfico, exclusivamente preocupado com a nossa existência, porque, como diz a Bíblia, seríamos criados à sua imagem e semelhança, o que transforma nosso Criador em medíocre forma humanóide cheia de defeitos correspondentes aos que a humanidade possua.

É lamentável a crença sem raciocínio, que não permita a análise da verdade em si, por uma necessidade humana de se auto afirmar como sendo uma forma divina, em vez de raciocinar que, habitando um mundo exíguo e medíocre dentro desse imenso espaço sideral, jamais poderia ser uma preocupação divina do Criador do Universo, senão mera forma de vida em todo sistema, de acordo com o mundo que habitamos.

Mas nossa vaidade não permite que consideremos a verdade a esse respeito, motivo pelo qual continuamos insistindo que os humanos foram criados á imagem e semelhança de deus, sem, sequer, imaginarmos o que seja Deus perante o Universo.

Até agora, para os mais ousados, as novas descobertas científicas levam-nos a concluir que existem dois domínios distintos dentro do Universo: o das formas e o dos estruturadores.

Em síntese: nosso Universo é constituído de 27% de vida material estruturada por agentes que compõem 73 % do restante do Universo e que seria, para os espiritualistas, o “domínio da Espiritualidade”. Nele habitariam não só os Espíritos de todas as formas, inclusive as que se materializam como humanos na Terra, como ainda, desde o mais elementar agente capaz de estruturar um sub-elemento de partícula atômica, até vidas superiores que jamais poderíamos conceber com a nossa mentalidade restrita á vida humana.

Contudo, é muito mais fácil desprezar a Ciência e suas descobertas, para adotar os dogmas religiosos, que não exigem senão sua aceitação como verdade, por mais absurda que seja.

Contudo, enquanto houver tal discriminação, nem os religiosos conhecerão “a verdade que nos tornará livres” nem os cientistas conseguirão compreender que, além do Universo exista algo que transcenda ao conhecimento humano e que seria o verdadeiro “Deus” da criação, não o Deus dos religiosos – antropomórfico e exclusivamente preocupado com os humanos – mas o verdadeiro motivo ou causa da existência do nosso Universo.

E a prova cabal de que o Deus religioso não é verdadeiro está no fato de que, para cada religião, Ele é distinto e só protege aqueles adeptos da seita em causa, independente de suas ações; e onde há diversidades não há realidade. O Deus evangélico é tão absurdo quanto qualquer outro das demais religiões.

Posto isso, cabe uma análise de fundamentos lógicos a respeito de uma série de perguntas que, com os atuais conhecimentos humanos, não podem ser respondidas: – por que Deus criou o Universo? Se, de fato, fosse para seu gáudio e prazer, como afirmam os cristãos, ele seria tão irresponsável quanto qualquer humano que só age para se divertir. Se, todavia, segundo Confúcio, Ele teria tido necessidade de fazê-lo para combater o mal, este teria que existir antes d’Ele e, como tal, Ele não seria a causa primária de todas as coisas.

Muitas outras perguntas se intercalam entre esta primeira e a que cabe ao contexto do que está sendo estudado; por isso, passamos a esta derradeira indagação: – o que primeiro foi criado, o Espírito ou a matéria?

Porque, no caso, há que se ater ao fato: ou primeiro surgiu a energia para que nela atuassem os aludidos agentes estruturadores – que nada mais seriam do que elementos da Espiritualidade – ou estes teriam vindo antes da energia que, condensada gera a matéria em si, para que os mundos, enfim, a própria constituição universal fosse estruturada.

Não me parece lógico que um tenha se antecedido ao outro, como sugerem os diversos pensamentos de filósofos importantes, inclusive Kardec; na realidade, ante as pesquisas atuais, tudo indica que o domínio do nada (para nós, o espiritual) e o domínio energético tenham sido constituídos simultaneamente e correlatos, a fim de que um – o espiritual – pudesse agir sobre o outro e dar-lhe as formas e a aludida “vida” em si.

Esta hipótese justifica as descobertas astrofísicas e admite que, sem dúvida, acima de tudo, exista um Ente superior, que, em vez de ser os deuses religiosos, como as diversas doutrinas vaticinam, tenha, acima de tudo, um domínio perfeito sobre o Universo é o reja de forma absoluta, onde tudo acontece segundo um princípio de perfeição que a inteligência humana jamais poderia compreender.

Dessa forma, a Ciência, muito longe das posições religiosas, principalmente a evangélica que nos invade, nos dá uma nova idéia da existência do Universo através de suas observações siderais, mostrando-nos que, acima de toda sabedoria que se possa ter, existe algo superior que comanda a perfeição.

É muita pretensão dos humanos supor que possa conhecer essa Agente que chamam de “Deus” e que estaria velando por nós, como se fôssemos sua única preocupação. Além disso, tê-Lo como “imagem e semelhança” ultrapassa a toda e qualquer pretensão vaidosa que possamos ter. Porque a única coisa impossível é que tenhamos algo parecido com a Perfeição dita absoluta.

Finalmente, usando o raciocínio dos filósofos orientais, o Universo teria sido simultaneamente criado em seus dois aspectos, o domínio dito material, onde a energia cósmica é seu fundamento e que compõem os aludidos 23% de tudo, e o que chamamos de domínio espiritual, representando os outros 73% do nada, isto é, do que não é composto da energia fundamental, mas que integra o Universo em sua constituição, já devidamente comprovado pelos aparelhos ópticos dos observatórios astronômicos.

Referência:

“O Livro dos Espíritos” – Capítulo II – Elementos gerais do Universo

Conclusões:

O Universo, sendo cíclico, é infinito, como o círculo trigonométrico, porém, como espaço sideral, ele é finito, porque, senão, não teria para onde se expandir e, sua consideração atual admite que ele, em fase de expansão, se esvaia para, novamente, ser implodido a um fulcro central, do qual partirá para nova fase de expansão, acabando com a teoria do Big-bang, defendendo a hipótese de Gell Mann relativa aos agentes estruturadores. Como tal, Deus seria o Agente Supremo que comandaria esta existência cíclica e cujos predicados são inteiramente desconhecidos para os observadores siderais.

Carlos de Brito Imbassahy -cbimbassahy@terra.com.br