Análise: Dumbo (1941)

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Introdução

Dumbo foi o maior sucesso da década de 40 para compensar o fracasso financeiro de Branca de Neve e Pinóquio -Baseado em um livro infantil escrito por Helen Aberson. Para isso usaram um enredo mais simples com recursos mais modestos – pois, além da crise, estávamos no auge da 2ª Grande Guerra.

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1. A Origem da Lenda da Cegonha 

“A lenda da cegonha surgiu na Escandinávia. Conta-se que, na época em que os bebês costumavam nascer em casa, às mães diziam aos filhos que os bebês haviam sido trazidos pela cegonha justificando o aparecimento repentino de um novo membro na família. Para explicar o descanso da mãe depois do parto, dizia-se que, antes de partir, a cegonha havia bicado sua perna.

A escolha da cegonha como símbolo foi devido a sua característica dócil e protetora, que dedica atenção especial e carinho às aves doentes ou mais velhas. Os antigos romanos criaram uma lei incentivando as crianças a cuidarem dos idosos, denominada Lex Ciconaria (Lei da Cegonha).

Além desse motivo, há o do fato das cegonhas costumarem fazer seu ninho ao lado da chaminé das casas e voltarem sempre para o mesmo lugar, para pôr ovos e cuidar dos filhotes. A mistura de generosidade e fidelidade ao ninho criou um símbolo perfeito. A lenda se espalhou pelo mundo no século XIX, através dos contos do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen”.

http://www.brasilescola.com/curiosidades/origem-da-lenda-da-cegonha.htm

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2.Racism found in the movie:

     “At the beginning of the movie, there is a scene where the circus is being set up. In this scene not only are the animals helping with the work, but also faceless black men are seen setting up. Their faces are completely featureless with no eyes, mouth, or nose. they possess no individual identities at all. This is characteristic of the time period because the 1940s was before the Civil Rights Movement, and although there was no slavery, blacks were still segregated and considered as lesser people at the time.

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  Then of course there are the crows. All of which are black. Their leader is named Jim Crow.  They are wearing patched clothing and are represented generally as intellectually inferior. They also use slang words and ebonics such as calling eachother “brotha” and speaking in southern accents with mutilated grammar. They meet when Dumbo and Timothy are up in the tree. Timothy sees them and not realizing yet that they aren’t on the ground asks them what they are doing “down here” meaning on the ground, and they respond with “why are you up here?” This represents blacks are segregated from everyone else and are questioned when they are seen somewhere where they don’t necessarily “belong.” Everyone has their own place in life and they are expected to stay there.

     The crows being mocking Dumbo becasue Timothy decides that they flew up to the tree. They sing the song “When I See an Elephant Fly.” This song is in jazz style completely with scatting and one of the crows playing the jazz trumpet on his beak. This style of music was generally popular at the time in black communities. Timothy hears their mocking and begins preaching a sermon to them telling them that basically they aren’t good enough to mock him and that they should be ashamed of themselves and they are moved to tears with remorse for this and are guilted into helping Dumbo learn how to fly.

     Another example in the movie that could be seen as racist is the fact that Dumbo is different from everyone else, therefore he is ridiculed for it. Just becasue his ears are bigger than a normal elephant’s, he is ostracized from the rest of the group. He only has one friend Timothy Mouse who is also socially ostracized becasue elephants are generally scared of mice. This could be seen as a form of racism because it is ostracizing someone because of their differences”.                     ( escolhemos a versão original do texto para não perder o sentido)

http://disneyandmovies.pbworks.com/w/page/17905679/5%20Dumbo 

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3. AS ALUCINACIONES DE DUMBO

En 1940 Salvador Dalí firmó un contrato para los Estudios Disney. El pintor de Cadaqués fue el autor de los bocetos para la famosa escena de los elefantes rosas del largometrajeDumbo, aquella en la que el orejudo elefantito pilla una cogorza y se le aparecen psicodélicos elefantes rosas haciendo cosas de lo más extrañas.
Disney afirmaba que era una de sus escenas preferidas. Recordando esta secuencia en una cena con amigos todos coincidimos en que de niños nos provocó miedo, nos parecía inquietante. Poco después leí un artículo en la revista Cáñamo en el que reconocían los efectos de la ingestión de alcaloides como la ayahuasca en las formas y colores de esos traviesos elefantes.
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Dumbo se realizó en su mayor parte en 1940, soplaban vientos de guerra, como mucha gente por entonces Disney temía que los japoneses atacaran California (¿recuerdan 1941 de Spielberg?) y que sus estudios resultaran dañados, además la productora estaba pasando una crítica situación económica – Dumbosanearía las cuentas de Disney, fue su película más rentable hastaPeter Pan (1953)-. Había que asegurarse de que Dumbo fuera estrenada en la Navidad de 1940 así que Disney decidió trasladar a un gran equipo de dibujantes a Nogales (Arizona) muy cerca de la frontera mexicana donde terminarían los dibujos de la película trabajando a contrarreloj.

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En ese estudio trabajaba Al Schenk, berlinés fugitivo de la Alemania hitleriana y que se convertiría en un cotizado pintor. Schenk solía pasar al otro lado de la frontera donde conseguía peyote en una reserva de indios zapotecas pues estaba experimentando los efectos de los lisérgicos en su obra pictórica –y siguió haciéndolo durante muchos años- es probable que las visiones producidas por el peyote se plasmaran en esta escena que fue dirigida precisamente por Schenk.

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El elefante rosa es también el nombre de un estimulante cóctel que se prepara así: ¼ parte de zumo de arándanos, ¼ de limoncello y ½ de vodka. Agitar bien en una coctelera con hielo y servir en copa de cóctel previamente helada.
Y ahora un documento revelador del daño que causó la psicodelia setentera. Miren que pintas se gastaba Klaus Kinski en 1970 cuando le dio por imitar a Brian Eno.

http://miquel-zueras.blogspot.com.br/2011/10/las-alucinaciones-de-dumbo.html

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4. DUMBO: ESTIGMA E MARGINALIZAÇÃO

Procurarei analisar o desenho animado de Walt Disney, no que diz respeito à anormalidade do personagem principal e à reação que este causa nos outros membros da sociedade em que vive, embasando-me na obra de Erving Goffman Estigma: “Notas Sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada”, onde o autor coloca o problema da identidade social e o dos vários desvios sociais.

Além desta obra, verei o problema da ideologia, posicionando-me na concepção de T. W. Adorno.

Segundo Goffman, “os ambientes sociais estabelecem as categorias das pessoas que têm probabilidade de serem neles encontradas. As rotinas de relação social em ambientes estabelecidos nos permitem um relacionamento com outras pessoas previstas, sem atenção ou reflexão particular”. Então, quando um estranho nos é apresentado, os primeiros aspectos nos permitem prever a sua categoria e os seus atributos morais e estruturais, formando-se a sua identidade social, que está dividida em:
1ª) identidade social virtual ou o que a pessoa deveria ser, preenchendo as expectativas apresentadas pelo estranho ao ambiente social em que é apresentado, de modo rigoroso;
2ª) identidade social real ou o que a pessoa realmente é, com a categoria e atributos que a pessoa prova ter.

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Quando um estranho apresenta um atributo profundamente depreciativo, que o diferencia dos demais que estão na categoria em que pudessem ser inseridos, os “normais” o estigmatizam, isto é, a pessoa estranha não é vista como uma “criatura comum e total”, mas como “uma pessoa estragada e diminuída”, pondo-a no descrédito.

Este atributo que estigmatiza não precisa ser nem honroso e nem desonroso, mas uma confirmação da anormalidade de outras pessoas. Diz Goffman: “Um estigma é, na realidade, um tipo especial de relação entre atributo e estereótipo, embora eu proponha a modificação deste conceito, em parte porque há importantes atributos que em quase toda a nossa sociedade levam ao descrédito”.

Segundo E. Goffman, existem os estigmas: 1º) que são imediatamente evidentes e conhecidos pelos “normais” que compõe as condições de desacreditado.
2º) os que não são imediatamente evidentes e conhecidos, os quais compõe as condições do desacreditável.

Além desta divisão há outra referente às:

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a) abominações do corpo, que são as várias deformidades do corpo;
b) “culpas do caráter individuais, percebidas como vontade fraca, paixões tirânicas ou não naturais, crenças falsas e rígidas, desonestidade, sendo essas inferidas a partir de relatos conhecidos de, por exemplo, distúrbio mental, prisão, vícios, alcoolismo, homossexualismo, desemprego, tentativas de suicídio e comportamento político radical” e, c) tribais, de raça, nação e religião.

Para as pessoas “normais”, o estigmatizado não é uma pessoa completa, por isso ela é segregada do meio social em que vive e suas chances de vida são reduzidas. No intuito de justificar tais atitudes, os “normais” constroem “uma teoria do estigma, uma ideologia para explicar a sua inferioridade e dar conta do perigo que ela representa, racionalizando algumas vezes uma animosidade baseada em outras diferenças, tais como as de classe social. Utiliza-se termos específicos de estigma como aleijado, bastardo, retardado, no discurso diário, como fonte de metáfora e representação, de maneira característica, sem pensar no seu sentido original, além de imputar outras imperfeições partindo da imperfeição existente e atribuir algumas características desejáveis, mas não desejados”, como por exemplo, o faro aguçado que os “normais” atribuem aos cegos.

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Dumbo é uma estória infantil, aparentemente inofensiva, pois que não agride ninguém diretamente, mas deleita o público, enquanto os estereótipos do estigmatizado vão sendo transmitidos para o que assiste o desenho animado mencionado acima e que reforça a “falsa consciência de hoje, socialmente condicionada, que já não é espírito objetivo, nem mesmo no sentido de uma cega e anônima cristalização, com bases no processo social; pelo contrário, trata-se de algo cientificamente adaptado à sociedade” e que imobiliza e petrifica os estigmas, no caso, da pessoa portadora de deficiência, que pertence ao tipo de estigma das abominações do corpo, imediatamente visível e, portanto, desacreditada, como toda a comunicação de massa.

No desenho animado Dumbo, os animais, principalmente os personagens principais, que são elefantes, ganham características humanas, como na maioria dos desenhos de Disney.

O personagem principal deste desenho é um elefantinho, que já vem ao mundo com uma deformidade física, ou seja, suas orelhas são grandes demais. Enquanto a família desconhecia a deformidade, pois as orelhas estavam atrás do corpo de Dumbo, o que cobria parcialmente a deformidade, todos diziam que estavam felizes, alegres orgulhosos de terem-no no seio familiar. Depois do espirro dado pelo bebê, provocado pelas carícias da aliá mais velha, as orelhas se abriram e as atitudes de contentamento deram lugar ao espanto, à indignação da família do mesmo. Refeitas do espanto, as aliás começaram a fazer galhofas referentes ao defeito do mais novo membro daquele círculo social, que acabou ficando com o apelido de Dumbo, resultado do trocadilho do seu nome verdadeiro, Jumbo Jr. e a palavra específica de estigma dumb, que significa tolo, estúpido.

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Esse atributo desabonador foi-lhe imputado devido a uma deformidade física original. Constatada a anormalidade, o bebê é estigmatizado, sendo motivo para humilhação por parte dos outros e depósito de mais atributos depreciativos e, conseqüentemente, vítima de agressões físicas e morais.

Quando Dumbo chega à primeira cidade, pois ele nasceu a caminho desta, é agredido com safanões e zombarias por parte de alguns meninos que vão ao circo, ambiente social do qual ele faz parte, quando a mãe dele tenta protegê-lo, também ela é estigmatizada como “louca”, devido ao seu comportamento inesperado e é enjaulada, depois de acorrentada, sendo, desta forma, segregada do ambiente social em que vivia.

Este episódio também pode ser lido como: as correntes representando a prisão em que o destino colocou a mãe da criança marcada pela desgraça, tendo, por obrigação, de amá-la e protegê-la. As correntes poderiam ser interpretadas como sendo a dor e o sofrimento ao ver o filho com um atributo altamente desabonador e portanto, vítima da marginalização da sociedade, porque inútil, coitadinho, retardado, estúpido, vergonha do meio familiar, etc., não podendo fazer coisa alguma por isso. A jaula pode significar a marginalização que a família nuclear do estigmatizado sofre, pois ela é, de uma ou outra forma, marcada, porque um dos componentes dela tem um estigma.

Na nossa sociedade ocorre, por exemplo, várias tentativas de esconder a pessoa portadora de deficiência, por medo dela deturpar ou manchar a imagem da família padrão e, assim, estragar os eventuais relacionamentos sociais a que está vinculada ou que está desejando ter.

Acontecido o episódio da prisão da mãe de Dumbo, as aliás começaram a rir e a comentar o fato, mas a líder diz que “não há motivos para rir. Lembrem-se que os elefantes sempre tiveram dignidade. A desgraça dele é a nossa vergonha”. Aí está a idéia de que a família do estigmatizado também o é. A outra responde que “não comeria junto com ele”. Depois, elas segregam Dumbo através da negação da existência do mesmo, assumindo atitudes de desprezo frente ao bebê.

A esta altura dos acontecimentos, Dumbo já havia pego o repasse da ideologia de que o estigma que carregava tornava-o indigno de ser um dos componentes daquele meio social, sentindo vergonha de ser aquilo que era, criando uma imagem deturpada de si mesmo, o que facilitava a resignação de estar à margem dos outros, e destes de o marginalizar, pois não encontravam resistência do estigmatizado, mas nem por isso o segregado deixava de sofrer. Goffman escreve em Estigma: “É claro que o indivíduo constrói a imagem que tem de si próprio, a partir do mesmo material do qual as outras pessoas já construíram a sua identificação pessoal e social”

Os atributos que as pessoas portadoras de deficiência física carregam, além daquele original, aparecem de forma clara quando Dumbo tropeça em suas orelhas, machucando todas as aliás e destruindo todo o circo, quando do número da pirâmide de paquidermes. Os atributos sobressalentes são os de inúteis, desastradas e, por isso, perigosas e que só servem para serem exploradas em sua condição física anormal. Quanto à exploração da desgraça, fica evidente no espetáculo onde os palhaços usam-no para fazer algo perigoso, humilhante para os elefantes – isto é colocado quando a aliá mais velha diz, depois do acidente da pirâmide, que Dumbo iria ser castigado da pior maneira possível para os elefantes, pois o dono do circo havia transformado o elefantinho em um palhaço – e, portanto, muito penoso para o personagem principal da estória.

Na sociedade em que vivemos, as pessoas portadoras de deficiência física não são aceitas em qualquer ocupação que têm condições de atuarem, por causa da idéia de que elas irão atrapalhar o ritmo de trabalho dos demais companheiros, pois carregam o estigma que as fazem desacreditadas aos olhos dos demais seres humanos, acrescentando os atributos de doentes mentais, retardados e por isso doentes e inúteis, podendo ter algum tipo de reação que colocaria em risco toda uma seção, ou uma sala de aula, etc. Vemos também pessoas portadoras de deficiência física grave sendo exploradas nas ruas para pedirem esmolas ou donativos nas esquinas, juntamente com uma pessoa fisicamente normal. Existem outras formas de exploração como, por exemplo, usar uma instituição para portadores de deficiência com o intuito de construir uma imagem de um ser humano compreensivo, caridoso, benevolente e altruísta, para poder alcançar um status quo mais alto na sociedade em que este ser normal vive, além do interesse econômico.

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No meio da estória, Disney cria um personagem em forma de camundongo que, a meu ver, funciona como a consciência de todos os personagens. É através dele que os desejos, a culpa, a tentativa de consolo são focalizados. Timóteo é como o Grilo Falante em Pinocchio. É assim que ele aparece quando as aliás marginalizam Dumbo, como uma forma de mal-estar que as perturbam e amedrontam, ou o desejo de Dumbo em se consolar após a humilhação passada com o número de palhaços, ou mesmo em forma de arrependimento dos corvos depois deles terem zombado de Dumbo, porque este havia parado em um topo de uma árvore altíssima, do raciocínio de como o elefantinho havia chegado lá e do conseqüente desejo de ajudá-lo a voar e se destacar daqueles que o estavam fazendo sofrer.

Goffman diz que os normais sentem-se pouco à vontade quando uma pessoa portadora de deficiência não se porta como ser humano normal, igual a todos os outros, mesmo que existam várias e sérias restrições em vê-lo como tal, pois o normal não sabe lidar com o estigmatizado, com medo de fazer algo que o magoe. Esta atitude de normalidade deve partir, segundo Goffman, sempre do lado do estigmatizado para colocar o normal à vontade. O autor não diz o motivo disto, mas creio que deva existir um mal estar no indivíduo normal por não saber lidar com o diferente. Quanto ao desejo do próprio portador da marca em se consolar de sua desgraça, fica evidente quando ouvimos dos próprios, frases como: “foi Deus quem assim quis”, ou, “vemos a realidade com maior profundidade, porque sofremos e aprendemos muitas coisas” e outras semelhantes.

Na parte final da estória, Timóteo e Dumbo ficam bêbados, o que aconteceu na noite do número de Dumbo como palhaço e acabam sendo acordados de manhã por um bando de corvos. Eles tinham ido parar no topo de uma árvore bem alta e chegaram à conclusão de que o elefantinho havia voado até lá. Após um sermão feito por Timóteo para os corvos, que pouco antes haviam zombado de Dumbo, com apelos sentimentalóides e ditos em tom dramático, os corvos decidem ajudar o elefantinho e o ensinam a voar. Naquela noite, no circo, na hora de Dumbo entrar em cena (mergulhar no ar a vários metros do chão, de uma casinha em chamas e cair numa tina d’água e agitar uma bandeirinha), ele voa e todos (público e componentes do circo) ficam espantados ao ver o fenômeno. Logo a nação inteira noticia o ocorrido, colocando Dumbo como herói, astro de cinema, investimento de grande porte, etc. Após o primeiro vôo, o elefantinho passa de segregado e ser inferior para o estrelato e orgulho do circo, ganhando o direito de ficar ao lado da mãe, liberta da prisão, e dos carinhos dela e, conseqüentemente, o direito de ser feliz.

Nesta parte os corvos aparecem como caricaturas dos negros norte-americanos, pois eles apresentam todas as características dos mesmos, vestimentas, modo de falar, andar, costumes, músicas cantadas e dançadas por eles, representada pelo jazz, Além disso, aparecem fora da sociedade em questão, representada pelo circo, vivendo uma vida alegre e sadia. A impressão que se tem é a de que a exclusão é voluntária, ao contrário do que acontece na sociedade real. Encontramos aí um acobertamento do estigma de raça e conseqüentes crises pessoais e coletivas provocadas por este fenômeno, mas a idéia de que os excluídos devam se ajudar uns aos outros aparece aqui sob a forma da disposição dos corvos ajudarem Dumbo a encontrar seu atributo positivo que eliminaria o negativo, desfazendo-se, assim, a marca negativa dele, fazendo-o integrar na sociedade como herói, como astro de cinema e não mais como um ser normal, comum. Mas, sendo assim, ele continua rotulado e reificado.

Na sociedade em que vivemos, a ideologia de que não existem portadores de deficiência física, porque o atributo positivo, sempre a mais do que os outros, ou as virtudes da força de vontade, da honestidade, da inocência, da resignação com o destino, da inteligência e outras, cobrem os atributos negativos e diferenciadores, fazendo com que a pessoa se torne uma espécie de super-herói, predomina, o que não acontece realmente, pois o estigma sempre estará presente de uma ou outra maneira nas atitudes dos normais. Esta ideologia está presente na conclusão da estória, além do “depois de sofrimento haverá sempre uma recompensa”. Existe aí, ainda, a imagem de que o indivíduo só deixa de ser severamente segregado quando este se torna produtivo e, portanto, lucrativo, tornando-se ele mesmo mercadoria.

A estrutura da estória pega o espectador emocionalmente, não agride ninguém em sua superfície, não leva quem está assistindo a nenhuma reflexão, à análise alguma, porque é apenas um desenho animado para crianças e, portanto, de consumo fácil e rápido (meio quente, como diz McLuhan), bem produzida em seus detalhes, começando pela feitura da imagem do personagem principal, cuja imagem não desperta repulsa alguma, ao contrário do que acontece com a visão de um ser humano deformado, mesmo em uma tela de cinema ou televisão, o que vem reforçar a teoria do estigma nos adultos e repassa esta mesma para as crianças.

Fonte: Revista de Psicologia Social

http://www.velhosamigos.com.br/Artigos/artigos1.html

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5.Talismãs e amuletos segundo o Espiritismo

Dumbo estava receoso em voar pela primeira vez, logo o prudente corvo lhe deu uma pena comum afirmando ser um amuleto mágico. O artefato acabou encorajando o tímido elefantinho  nas primeiras investidas até se sentir confiante para “dispensá-la” de vez.

Para iniciarmos o assunto sobre a visão espírita a respeito do uso de talismãs e amuletos, em primeiro lugar vamos consultar o seu significado no dicionário.

– Talismã: Objeto gravado com símbolos cabalísticos, ao qual se atribui a virtude de trazer felicidade, de comunicar um poder sobrenatural, etc.

– Amuleto: Objeto que alguém leva consigo por superstição, para se preservar de perigos, doenças etc.

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Como podemos ver tanto um talismã quanto um amuleto (que na verdade é a mesma coisa) são objetos que teriam “poderes sobrenaturais” que supostamente beneficiaria a pessoa que possui tal objeto dando-lhe certas virtudes espirituais ou até mesmo proteção espiritual em relação aos Espíritos das trevas.

Um bom exemplo disso é visto na religião de Umbanda, onde os adeptos usam a planta popularmente conhecida como “espada de São Jorge” (também chamada por eles de “espada de Ogum”) na entrada da Tenda (Tenda é o termo usado para fazer referência ao templo umbandista) para afastar os maus Espíritos.

No Catolicismo Romano, temos o crucifixo que é usado pelos católicos no intuito de afastar os maus Espíritos e as energias ruins.

Por se tratar de um assunto de âmbito espiritual, qual a visão da Doutrina Espírita em relação aos talismãs e os amuletos?

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Para estudarmos o assunto, vamos usar duas obras da Codificação Espírita: O Livro dos Espíritos e o Livro dos Médiuns.

Nas questões 553, 553-a e 554 do Livro dos Espíritos, nós encontramos as seguintes informações:

  1. Qual pode ser o efeito de fórmulas e práticas com as quais certas pessoas pretendem dispor da vontade dos Espíritos?

     — O de torná-las ridículas, se possui boa-fé; no caso contrário, são tratantes que merecem castigo. Todas as fórmulas são charlatanices; não há nenhuma palavra sacramental, nenhum signo cabalístico, nenhum talismã que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porque eles só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais.

553 – a) Certos Espíritos não ditaram, algumas vezes, fórmulas cabalísticas?

     — Sim, tendes Espíritos que vos indicam signos, palavras bizarras, ou que vos prescrevem certos atos, com a ajuda dos quais fazeis aquilo que chamais conjuração. Mas ficai bem seguros de que são Espíritos que zombam de vós e abusam de vossa credulidade.

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4 – Aquele que, com ou sem razão, confia naquilo a que chama virtude de um talismã, não pode, por essa mesma confiança, atrair um Espírito? Porque então é o pensamento que age; o talismã não é um signo que ajuda a dirigir o pensamento?

  — Isso é verdade; mas a natureza do Espírito atraído depende da natureza da intenção e da elevação dos sentimentos. Ora, é difícil que aquele que é tão simplório para crer na virtude de um talismã não tenha um objetivo mais material do que moral. Qualquer que seja o caso, isso indica estreiteza e fraqueza de idéias, que dão azo aos Espíritos imperfeitos e zombadores.

Já na questão 17 do item 282, no capítulo 25 do Livro dos Médiuns, observe o que diz a Doutrina dos Espíritos a esse respeito:

7. Certos objetos, como medalhas e talismãs, têm a propriedade de atrair ou repelir os Espíritos, como pretendem algumas pessoas?

  — Pergunta inútil, pois sabeis que a matéria não  exerce nenhuma ação sobre os Espíritos. Ficais certos de que jamais um Espírito bom aconselha semelhantes absurdos. A virtude dos talismãs, de qualquer natureza, só existe na imaginação das criaturas supersticiosas.

Você deve estar se perguntando: Se os talismãs e os amuletos em si não me protegem, como eu faço para me proteger dos maus Espíritos e também proteger a minha casa?

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A resposta para a sua pergunta está na décima terceira questão do capítulo 9 do Livro dos Médiuns, pois é um capítulo que traz um estudo sobre locais assombrados, ou seja, locais que têm Espíritos maus e os meios para se livrar deles. Veja:

3.Há um meio de expulsá-los?

            — Sim, mas quase sempre o que se faz para afastá-los serve mais para atraí-los. O melhor meio de expulsar os maus Espíritos é atrair os bons. Portanto, atrai os bons Espíritos, fazendo o maior bem possível, que os maus fugirão, pois o bem e o mal são incompatíveis. Sede sempre bons e só tereis bons Espíritos ao vosso lado.

Como podemos ver somente a prática constante do bem é que de fato tem uma ação eficaz para repelir os maus Espíritos.

Portanto, devemos sempre nos esforçar para sermos pessoas de bem, pois como já dizia o ditado: Semelhante atrai semelhante!

Que Jesus nos ilumine sempre!

http://conhecespirita.blogspot.com.br/2011/11/talismas-e-amuletos-segundo-o.html

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6. Existe sorte e azar? – Livro o Consolador

215  –  Os  chamados  “homens  de  sorte”  são  guiados  pelos  Espíritos  amigos? –  Aquilo que convencionastes apelidar “sorte” representa uma situação  natural no mapa de serviços do Espírito reencarnado, sem que haja necessidade de admitirdes a intervenção do plano invisível na execução das experiências pessoais. A “Sorte” é também uma prova de responsabilidade no mecanismo da vida, exigindo muita compreensão da criatura que a recebe, no que se refere à misericórdia divina, a fim de não desbaratar o patrimônio de possibilidades sagradas que lhe foi conferido.

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