EM  LOUVOR DA ESPERANÇA

EM  LOUVOR  DA  ESPERANÇA

 

Embora assinales o companheiro nas últimas raias da resistência, não lhe profetizes a queda.

É possível que, abraçando a ilusão, tenha ele provocado as imensas dificuldades que lhe supliciam a alma e, rendendo-se, inerme, às sugestões do vício, é provável haja apressado à decadência orgânica que o obriga a estugar o passo, na direção do sepulcro.

Entretanto, o Senhor te permite sondar-lhe as chagas e anotar-lhe as fraquezas, não para que lhe arrojes brasas às feridas, nem para que lhes esmagues a armadura dos ossos.

Problema pede solução.

Fogueira não espera petróleo para extinguir-se.

 

Em tudo o que se refira a desalento e terror, recorda o carinho com que te desvelas à cabeceira de um filho desajustado.

Agradeces, de coração enternecido, aos que lhe ofertem a gota de remédio ou a leve migalha de reconforto.

Se isso acontece entre os limites de nossa ternura estreita, que não fará por nós o Infinito Amor, imensuravelmente acima de toda a compreensão humana?

Mesmo que amigos desencarnados te induzam a desencorajar os irmãos doentes ou transviados, não profiras sentença que desanime; porquanto, cada dia, a Natureza, em nome do Criador, renova a esperança de todas as criaturas.

Nuvens anunciam fontes cadentes para a secura do solo.

Árvores prometem frutos à fome do viajor.

Escolas acenam à educação.

Hospitais referem-se à cura.

 

Não te faças portador das mensagens de pessimismo.

A Terra já possui legiões enormes para a força do mal.

Sê a palavra que reconforte e auxilie.

Ainda que te encontres diante daqueles que se mostram nas vascas da agonia, fala em esperança e não lhes vaticines o mergulho na morte, porque Deus é também misericórdia e a misericórdia de Deus poderá desmentir-te.

Lázaro, enfaixado no túmulo, era alguém com atestado de óbito indiscutível, mas Jesus chamou-o a mais amplo aproveitamento das horas, e Lázaro reviveu.

 

Do livro Seara dos médiuns. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.