Paranormalidade ou Mediunidade?

chico e emmanuel

James Randy, o maior “caçador” de paranormais do mundo, tem oferecido, através dos meios de comunicação, um prêmio milionário para qualquer indivíduo que consiga provar, sem truques ou ardis, ser portador de um dom de paranormalidade. Afinal, quais são os limites entre paranormalidade e mediunidade? Uma coisa é certa, não entra nesta disputa o charlatanismo, uma vez, que todo embuste até agora tentado, tem sido desmascarado por Randy. Por outro lado, faz-se necessária também uma diferenciação entre mediunidade de incorporação e esquizofrenia, sendo que ambas as situações cursam com um desdobramento da personalidade (cisão da personalidade), fazendo com que o indivíduo apresente uma alteração comportamental, tornando-se “outra pessoa” (entre aspas, é bom frisar!).

Vejamos:

– Os paranormais apresentam um dom qualquer que não pode ser explicado pela ciência, como mover objetos sem tocá-los, ler pensamentos, entortar metais, criar matéria do nada etc;

– Os médiuns são capazes de entrar em contato com seres do mundo espiritual, recebendo daqueles mensagens ou mesmo orientações, até mesmo premonitórias; e

– Os esquizofrênicos são indivíduos com perturbações mentais, em geral alterações relativas aos neurotransmissores cerebrais, impondo-lhes uma dupla personalidade.

Os paranormais nada apresentarão, em termos comportamentais, que os façam parecer loucos, porém os médiuns e os esquizofrênicos podem ser confundidos entre si, caso não se estabeleçam regras claras entre ambas as condições. Por saber, na mediunidade há uma conduta pessoal e social normais, com zelo na aparência física, estabilidade emocional, concatenação de idéias e pensamentos claros, enquanto que na esquizofrenia percebem-se surtos de desconexão com o mundo, fazendo com que o indivíduo afetado se comporte de maneira desleixada, apresentando pensamentos negativistas geralmente fixos, instabilidade emocional, tendência ao suicídio, além de outras alterações comportamentais importantes.

Então, entre os médiuns incorporantes e os esquizofrênicos fica em comum a presença de uma cisão da personalidade, diferente no entanto pela percepção clara que se tem dos gestores do processo. Na esquizofrenia teremos duas personagens distintas, porém com um gestor único comandando o “teatro” mental montado. Na mediunidade de incorporação haverá também duas personagens, mas com dois gestores bem distintos no comando do processo de comunicação. Trocando em miúdos, o esquizofrênico não consegue acrescentar à sua personalidade os conhecimentos de um “Napoleão” que ele diz ser. No médium de incorporação, a personalidade toma toda a bagagem do espírito incorporado e os seus conhecimentos são manifestados através do médium, mesmo que este desconheça totalmente aquele cabedal de sabedoria.

Surge então a pergunta: subtraindo-se os charlatães e os esquizofrênicos, não poderiam os paranormais e os médiuns serem enquadrados numa mesma categoria?

Vale então ressaltar que manifestações de leitura da mente ou aptidões para mover objetos ou mesmo entortá-los, seja lá o que for na esfera física, não é da alçada do campo da mediunidade. Apenas as comunicações com espíritos desencarnados é que fazem parte da área de ação mediúnica. Mecanismos de natureza física podem muito bem ser demonstradas através de investigações científicas sérias, mas e quanto às manifestações entre os mundos do espírito e dos encarnados?

Segundo o Prof. Dr. Nubor Facure (lfacure@uol.com.br), investigador das bases neurofisiológicas da mediunidade em Campinas – SP, há sim um substrato cerebral capaz de explicar tais comunicações decorrentes do processo mediúnico. Isto parece estar tomando corpo com o interesse cada vez mais crescente de entidades acadêmicas, como é o caso da USP de São Paulo, onde se tem buscado demonstrar a veracidade dos fatos em relação a esta matéria. Prova disto foi a exibição de todo um programa Globo Repórter (Rede Globo de Televisão) no dia 13 de setembro deste ano, onde se tratou do assunto, com a exposição de hipóteses plausíveis de que cristais existentes na glândula pineal seriam espécie de antena para as comunicações vistas na mediunidade.

Será que Francisco Cândido Xavier, de parcas condições socioculturais, teria capacidade de enganar a tantas pessoas durante toda uma vida, escrevendo sobre os mais diversos assuntos e das mais diversas áreas da ação humana? Será que seria humanamente possível que alguém escrevesse mais de 400 obras durante uma existência literária de pouco mais que 50 anos, versando sobre filosofia, história, física e tantas outras disciplinas, sem biblioteca pessoal que assim o permitisse? Até mesmo, daria tempo para pesquisar e lançar tantas obras assim?

Poderia um médium da estirpe de um Chico Xavier ser considerado apenas como um paranormal? Um charlatão? Um esquizofrênico? Ou estaríamos realmente diante de uma prova irrefutável da veracidade do processo de comunicação mediúnica? Se bem sei da índole que tinha nosso estimado Chico, ele jamais se submeteria à curiosidade de um James Randy, nem pelo dinheiro e nem por vaidade. Eis a grande marca dos grandes mestres!

Leonardo Mendes Cardoso é médico pediatra com aperfeiçoamento em alergia pediátrica, professor universitário e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Goiás. Tem 43 anos de idade e reside em Goiânia – Go, onde pesquisa acerca dos fenômenos mediúnicos.

Leonardo Mendes Cardoso:  http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/mediunidade/paranormalidade-ou-mediunidade.html