Reencarnação: Uma Lei Natural

reincarnation5A reencarnação é a base do Espiritismo.

Afinal de contas, o que é reencarnação?

As religiões tradicionais, do ocidente, ensinam que nós nascemos, vivemos, morremos e nada mais. Dizem que tudo começa no berço e termina no túmulo.

Dizem também que depois que as pessoas morrem, elas ficam esperando milhares de anos por um tal “juízo final”, quando Jesus voltará à Terra, para fazer a ressurreição de todo mundo e julgará. Sinceramente, eu não sei de onde Jesus voltará, pois ele sempre esteve e sempre estará por aqui.

Dizem que uns vão para um tal Inferno, local comandado por um cidadão chamado Satanás, para se queimarem por toda a eternidade num sofrimento sem fim.

Outros, privilegiados, vão para o Céu, que é um local onde ninguém faz absolutamente nada, vivendo apenas para adorar e bajular um velho, que é o chefe de tudo lá, vaidoso ao extremo, que adora puxa-sacos, gosta de sentir cheiro de animais em holocaustos, é adepto de castigar os outros, gosta de vingança, fica com raiva por qualquer motivo e gosta muito de destruir povos, cidades, etc… Dizem que esse velho é o próprio Deus.

Absurdo, mas é isto que ensinam.

Usemos a lógica, os conhecimentos elementares da ciência e perguntemos se tem sentido esse tal de “juízo final”:

Em princípio, o próprio Jesus ensinou: “Não julgueis para não serdes julgados”.

Como é que poderá Ele mesmo vir aqui, contradizer-se, julgando todo mundo?

Talvez nessa vinda Ele dirá: “Olha, gente, o que eu disse antes não vale nada, todo mundo será julgado. Eu estava brincando, da outra vez, quando disse que ninguém deveria julgar para não ser julgado.”.

Mas tem outra questão:

Sabemos que quando alguém “morre”, o corpo é sepultado no chão coberto por terra, em alguma catacumba toda revestida por pedras e cimento, ou queimado transformando-se em cinzas.

Nestes dois primeiros casos o corpo de desintegra. Na terra, em aproximadamente cinco anos, ficam apenas os ossos. Na catacumba de cimento, é mais rápido, em apenas três anos. Depois deste período, os coveiros retiram esses ossos das sepulturas para dar o lugar a outro defunto, levam para uma vala comum e os queima. A partir daí, nem ossos existirão mais. Tudo vira cinza.

No processo de cremação, tudo é destruído imediatamente, transformando-se em cinza.

Quando a pessoa morre numa explosão de avião, por exemplo, e os pedaços caem no mar, os peixes devoram aqueles pedacinhos e os expelem mais tarde em forma de excrementos.

Cadê o corpo? JÁ ERA.

Percebemos que a matéria está totalmente desmoralizada. Sobrarão alguns átomos espalhados por aí, por sua vez divisíveis. Quem conhece as noções elementares da química, certamente já deve ter ouvido falar nos prótons, elétrons e nêutrons bem como nos imensos espaços livres existentes entre eles. É assunto para outra ocasião.

E daí, como é que fica?

Nessa tal ressurreição, se existir, vai ser a maior confusão que o mundo terá oportunidade de ver em todos os tempos. O que vai ter de gente brigando por causa de átomos, não vai ser fácil.

– Largue aí, esse átomo é meu.

– Negativo, eu é quem fui enterrado neste local.

– Não lhe dou, de jeito nenhum, você já está com muitos e eu encontrei muito pouco dos meus.

– Mas isso é problema seu. Eu tenho que estar ressuscitado de corpo inteiro.

– Cuidado com esse seu egoísmo. É Jesus quem está aí e Ele vai ficar com muita raiva e provavelmente você não irá para o Céu.

Enfim, a coisa seria mais ou menos assim.

Com todo respeito que são merecedoras as religiões que pregam esse “fim”, o Espiritismo não pode concordar, por questão de lógica, com isto.

Vamos raciocinar juntos:

Se, por acaso, tudo começasse no berço e terminasse no túmulo, como pregam, Deus seria a maior expressão de injustiça do Universo. Ele seria um grande e inconseqüente discriminador. Pois algumas pessoas nascem em berço de ouro e outras na miséria absoluta.

Deus não seria justo se tivessem razão aqueles que recusam aceitar a lei da reencarnação.

Claro, pois nada explica a discriminação “divina” que permite alguns nascerem em berço de ouro e outros na mais absoluta miséria.

Certo dia, eu visitava uma Igreja Protestante, (gosto muito de visitar igrejas de várias religiões, para conhecer cada uma e procurar ter o mínimo de condições para falar com conhecimento de causa), e o pastor, que fora avisado por alguém da presença de um divulgador Espírita no recinto, adotou como tema da sua pregação a condenação da reencarnação.

Alegava o religioso, que o fato de algumas pessoas nascerem na miséria, mutiladas ou na carência absoluta é uma forma de Deus castigar os seus pais.

Raciocinemos, mais uma vez:

Um rapaz, irresponsável, namora uma garota, também irresponsável, com objetivos apenas de fazer sexo. Na primeira relação, às vezes até na rua, em pé, encostados numa árvore, surge a gravidez. O sem-vergonha se manda, e a menina faz tudo para evitar mas não consegue livrar-se do parto. Nasce a criança com problemas diversos.

A mãe irresponsável abandona o nenem numa lata de lixo. Alguém ampara a criança e percebe que ela é cega, surda e provavelmente muda, além de portar mutilações nos membros.

Quem vai querer adotar uma criança nessas condições?

Partindo do princípio que a nossa sociedade discrimina até mesmo crianças normais, simplesmente pela cor da pele ou pela aparência, imaginemos num caso deste.

E daí? Será que Deus, ao impor tanto sofrimento a uma indefesa criança, estaria castigando os irresponsáveis dos pais que nunca fizeram a menor questão do filho?

Tem lógica, um argumento deste?

Você, que teima em recusar a reencarnação, aponte uma razão lógica e plausível que justifique coisas como estas que acontecem todos os dias, em milhões e talvez bilhões de famílias no planeta Terra.

Somente a reencarnação explica essas coisas.

A vida não pode ser limitada apenas à uma existência terrena. Nós já passamos por aqui várias outras vezes e, provavelmente, passaremos inúmeras outras. Já cometemos muitos erros e, por uma questão de Justiça de Fato temos que resgatá-los. Queiramos ou não.

Mas é preciso que esse conceito não seja confundido com certas definições que muitos espíritas mal esclarecidos tentam dar às nossas vidas, afirmando que estamos aqui para sofrer e para pagar débitos anteriores. É mentira.

Não estamos aqui para pagar coisa alguma. Estamos aqui, na condição de escola, para nos educarmos e evoluirmos sempre. O pagamento de um débito é um fato natural.

Se tomamos, por exemplo, um dinheiro emprestado, podemos optar por pagar de uma só vez, se tivermos condições, ou em prestações. A relação é a mesma.

Alguns fazem muito esforço em dedicar-se às causas nobres servindo ao próximo, outros vivem no mundo apenas para se servirem do próximo. Logicamente os primeiros estão se livrando mais rápido dos seus débitos, atingindo mais depressa a felicidade, os outros, por sua vez, estão contraindo mais débitos, conseqüentemente mais afins com as angústias e os problemas diversos.

Queiramos ou não, a reencarnação não é uma questão religiosa e sim científica. Não é também uma invenção do Espiritismo, pois é milenar.

Condenada pela Bíblia, jamais. Pois a própria Bíblia, em várias passagens, cita-a como realidade. Vale lembrar, principalmente àqueles que não apenas se postam como escravos da Bíblia, mas que já tiveram a oportunidade de estudar a sua história, que a reencarnação sempre esteve presente nas suas páginas, de forma muito clara e indiscutível, até o momento em que a Rainha Eudóxia resolveu mandar retirar a palavra dos escritos, com medo de reencarnar com escrava.

Sugerimos a leitura atenciosa das obras básicas do Espiritismo, sem qualquer pretensão de querer convencer ninguém a ser Espírita.

Alamar Régis Carvalho

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/reencarne/reencarnacao-uma-lei.html

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