DETERMINISMO E LIVRE-ARBÍTRIO

livre arbitrio ou determinismo

1 – Como conciliar, na reencarnação, o determinismo com o livre-arbítrio?

Fomos criados para a perfeição. Seremos um dia Espíritos puros e perfeitos, prepostos de Deus. Isso é inevitável, a vontade onipotente de Deus, o determinismo absoluto. O tempo que levaremos para chegar lá depende de nós. Aí entra o livre-arbítrio, a nossa escolha.

2 – Considerando que os desvios são inevitáveis, uma forma de aprendizado que nos permite distinguir o bem do mal, não seria razoável conceber que todos levaremos o mesmo tempo para atingir a perfeição?
Nos primeiros estágios, envolvendo os seres inferiores e os primórdios da inteligência humana, sob orientação do instinto, isso é possível. A partir do momento em que o Espírito tem a consciência do bem e do mal, surge a liberdade de fazer suas escolhas, acelerando ou retardando a marcha evolutiva.

3 – Aqueles que nesse estágio optam pelo bem não estão sendo favorecidos por Deus?
Admitir semelhante ideia seria cair na Teoria das Graças, segundo a qual Deus tem preferências, algo incompatível com a justiça. Todos somos favorecidos pela capacidade de pensar e decidir que caminho vamos escolher. Será mais curto, pelo exercício do bem, ou mais longo, nos desvios do mal.

4 – Nas regiões umbralinas, conforme relata André Luiz, há multidões de Espíritos com discernimento, que fizeram uma opção pelo mal. Não lhes terá faltado o “toque divino”, para evitar seus comprometimentos?
Deus jamais falta aos seus filhos. Faltou a esses Espíritos não o toque de Deus, mas o toque da consciência, a partir daquele cair em si, a que se refere Jesus, na parábola do filho pródigo. Sempre encaro com perplexidade esses irmãos no desvio, que insistem em permanecer nas sombras, recusando-se à luz.

5 – Compreensível que Deus espere pelo “cair em si” desses filhos pródigos, mas por que permite que constituam falanges de seres diabólicos, a perturbar a mente humana?
Kardec fez essa mesma pergunta aos mentores espirituais, em O Livro dos Espíritos, questão 466. A resposta é significativa: Os Espíritos imperfeitos são instrumentos próprios a pôr em prova a fé e a constância dos homens na prática do bem. Como Espírito que és, tens que progredir na ciência do infinito. Daí o passares pelas provas do mal, para chegares ao bem. A nossa missão consiste em te colocarmos no bom caminho. Desde que sobre ti atuam influências más, é que as atrais, desejando o mal; porquanto os Espíritos inferiores correm a te auxiliar no mal, logo que desejes praticá-lo. Só quando queiras o mal, podem eles ajudar-te para a prática do mal. Se fores propenso ao assassínio, terás em torno de ti uma nuvem de Espíritos a te alimentarem no íntimo esse pendor. Mas outros também te cercarão, esforçando-se por te influenciarem para o bem, o que restabelece o equilíbrio da balança e te deixa senhor dos teus atos.

6 – Não há o risco de um impasse evolutivo, uma cristalização no mal, que perpetue a maldade nesses Espíritos?
Intrinsecamente somos todos filhos de Deus, dotados de suas potencialidades criadoras para o bem e a verdade. Mais cedo ou mais tarde eles cairão em si, derrotados pela centelha divina que há em seus corações, dispondo-se à renovação.

7 – Segundo os relatos de André Luiz, existem Espíritos que há milênios estão devotados ao mal, seres diabólicos, a perseguir as criaturas humanas. Não são eles capazes de atrasar indefinidamente a promoção de nosso planeta na sociedade dos mundos?
Quando chegar a hora da grande transição, esses filhos rebeldes de Deus serão segregados em planetas inferiores, onde as dificuldades, a dor, a desolação e a insuperável saudade da Terra, de seus afetos, acabarão por vencer sua rebeldia, estimulando-os à renovação. Então retornarão redimidos à Terra, seu lar, reintegrados em sua família – a humanidade.

8 – Existe um meio de “encurtar caminho”, na jornada para a perfeição?
Uma estrada em linha reta, caminho para a perfeição, não tem atalhos. O importante é evitar os desvios, que nos atrasam. Para tanto temos o Evangelho, o roteiro perfeito para o cumprimento dos desígnios divinos, proporcionando-nos a bênção de uma jornada segura, a evitar o mal que vem de fora – influência dos Espíritos; e do mal que vem de dentro – influência de nossa inferioridade.

Richardsimonetti@uol.com.br