O ESPIRITISMO EXPLICA O INCÊNDIO À BOATE KISS Luiz Carlos Barros Costa

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A Doutrina Espírita tem fundamentos filosóficos para explicar a causa de acontecimentos tão impressionantes como esse ocorrido em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, às 2h30 do dia 27 de janeiro de 2013.

Deus não é soberanamente justo e bom? Não cai uma folha da árvore sem que seja da Vontade Dele? Ora, um incêndio dessas proporções, permitido por Deus (pois se fosse da vontade Dele seria evitado), deve ser justo e deve ser bom. Caso contrário não seria soberanamente perfeito.

           Deus é Justo, pois as vidas sucessivas ou reencarnação são a grande chave do enigma desse incêndio.

Os jovens vitimados nesse incêndio são filhos de Deus. Estão sob a ação de uma lei da física: a cada causa um efeito consequente e a cada efeito, uma causa antecedente: “A cada um segundo as suas obras” – Lucas XII: 47-48.

O Deus que conhecemos na doutrina espírita é antes de tudo Pai, amoroso, incapaz, por isso mesmo, de cometer atos ofensivos aos filhos amados. Esses jovens desencarnados, numa festa comum à juventude, estão sob a ação infalível da Lei de causa e efeito que se faz presente de forma inequívoca.
Todos os nossos irmãos que pereceram pelo efeito devastador das citadas catástrofes coletivas, carregavam consigo sérias culpas, hauridas nas vidas passadas, ajustando-se, agora, com a lei divina. Perdoados por Deus, mas não limpos. Agora estão limpando suas consciências, pois Deus é amor (João 4:8).

Esses jovens iniciam nessas horas o sublime do resgate libertador. Fora desse raciocínio, Deus teria falhado em permitir mortes coletivas de seus filhos encarnados, ainda na quadra juvenil.

Um dos livros da codificação de Allan Kardec, Obras Póstumas, traz esclarecimentos importantes ao tema das mortes coletivas, na segunda parte da obra, no capítulo que enfoca as expiações coletivas, assinados pelo Espírito de Clélie Duplantier.

Em resumo, esse Espírito ensina que as pessoas que possuem uma tarefa comum, na existência terrena, já viveram nas mesmas funções ou atividades e se encontrarão juntos no futuro. Para tanto, precisam passar pelas expiações, juntas, para limpar o passado de erros.

Continua o Espírito Duplantier.

Há muita justiça nas expiações vividas. Elas não correspondem aos atos registrados na atual vida terra (no caso presente, na vida conhecida das vítimas do incêndio de Santa Maria).

As vítimas de hoje, são almas culpadas nas condutas ignotas de outras vidas.

O que seria incompreensível com a justiça de Deus, caso tivessem apenas esta vida terrena, teoria da unicidade das existências.

Com a lei de causa e efeito e com as vidas sucessivas, Deus passa a ser reconhecido como soberanamente justo e bom, por desejar o melhor para seus filhos: sua pureza.

Esses jovens desencarnados de forma tão brutal, estão ligados pelos laços fraternais de hoje, pelas condutas de ontem, para a libertação de suas consciências no futuro.

A mensagem de Emmanuel elucida as dúvidas mais profundas sobre o incêndio de Santa Maria. Na pergunta formulada aEmmanuel, Francisco Cândido Xavier, com as suas abençoadas mãos, assim documentou:

Como se processa a provação coletiva?

 Resposta:

“Na provação coletiva verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro. O mecanismo de justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas da dívida do pretérito para os resgates em comum, razão porque, muitas vezes, intitulais “doloroso caso” às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais.”

O infausto acontecimento do dia 27 de janeiro de 2013, no incêndio à Boate Kiss, foi projetado como questões aos ensinamentos dos Espíritos às questões de Allan Kardec, contidos em O Livro dos Espíritos, item II – Flagelos Destruidores.

Dessa forma as questões foram adaptadas à tragédia para sua melhor compreensão, principalmente aos leitores que não dominam alguns termos espíritas. As respostas foram igualmente formatadas visando mais fácil entendimento do grande público, com sérias dúvidas sobre as causas que desencadeiam efeitos tão devastadores.

          1 – Qual a finalidade de Deus castigar a Humanidade com incêndios dessas proporções?

Os Espíritos responderam a Allan Kardec que fatos como esses fazem com que a Humanidade avance mais depressa. Destruições como essas são necessárias para que se processe a regeneração moral dos Espíritos. Em cada existência terrena os Espíritos buscam um novo aperfeiçoamento.

Não se pode julgar um fato tão infeliz como esse do ponto de vista pessoal terreno. Essas ocorrências seriam oportunidades divinas para a produção de uma ordem moral melhor. O que levaria séculos se realiza em curto espaço temporal.

          2 – Não haveria outro meio para melhorar a Humanidade?

Deus emprega vários meios para melhorar a Humanidade. Cada filho de Deus tem condições de progredir ao bem e ao mal, pelo desenvolvimento do seu conhecimento.

O homem, porém, não aproveita esses meios. Deus permite, dessa forma, alguns sinistros eventos como o incêndio de Santa Maria, para castigar os filhos orgulhosos e fazê-los sentir a própria fraqueza.

          3 – Entre as vítimas do incêndio de Santa Maria não haveria um grupo de homens de bem que estaria entre os que deveriam morrer?

A vida corporal é nada, diante da grandeza da vida espiritual. Um século do mundo terreno é como um relâmpago na Eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos nossos meses ou dias, nada são. O mundo real é constituído dos Espíritos que preexistem e sobrevivem ao mundo material.

Os homens são filhos de Deus. Os corpos são apenas os seus instrumentos de vivência na Terra. Perdem os corpos como se fossem uniformes estragados dos soldados nas guerras que participam. O general se preocupa mais com os soldados do que com as suas vestes.

          4 – Os que morreram nesse incêndio não são vítimas?

A vida terrena é muito insignificante diante do infinito. As vítimas que agora comovem o mundo terão vida, após esta vida, e ganharão oportunidades de voltarem a Terra, com larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem lamentar.

          4 a – Comentário de Kardec:

          Quer a morte se verifique por um flagelo ou por uma causa ordinária, não se pode escapar a ela quando soa a hora da partida: a única diferença é que no primeiro caso parte um grande número ao mesmo tempo.

Se pudéssemos elevar-nos pelo pensamento de maneira a abranger toda a Humanidade numa visão única, esses flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

          5 – Esse incêndio possui alguma utilidade pelos males que ocasionou?

O bem que dele resulta só será sentido nas gerações futuras.

          6 – Esse incêndio seria uma prova moral para os que morreram?

Esse incêndio é uma prova para os homens exercitarem a paciência e a resignação perante a vontade de Deus. Também permite que sejam desenvolvidos os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo.

          7 – É possível o homem evitar essas ocorrências tão ofensivas.

Muitos flagelos são originários da imprevidência humana. Conforme o homem na Terra vá adquirindo conhecimentos e experiências, poderá evitar essas ocorrências tão ofensivas.

Com a evolução moral do homem poderá ocorrer prevenções eficazes, como se soubesse, futuramente, prevenir situações de repercussão tão grave, pesquisando-lhes as causas.

Mas entre os males que afligem a Humanidade, há os que são de natureza geral e pertencem aos desígnios da Providência.

Desses, cada indivíduo recebe, em menor ou maior proporção, a parte que lhe cabe, não lhe sendo possível opor nada mais que a resignação à vontade de Deus. Mas ainda esses males são geralmente agravados pela indolência do homem.

Que as nossas preces emocionadas sejam contínuas e intensas aos nossos irmãos que retornaram ao mundo espiritual, com as consciências mais calmas e, quiçá, resignadas.

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