Entenda o sofrimento

Buda ensinava que a única função da vida é a luta pela vitória sobre o sofrimento. Empenhar-se em superá-lo deve ser a constante preocupação do homem. – Joanna de Ângelis[1]

Seguindo na trilha reflexiva do Iluminado e calcada no pensamento espírita-cristão, Joanna de Ângelis nos ensina que o sofrimento é uma experiência comum a todos os seres, portando, por sua vez, um caráter burilador no sentido da evolução espiritual.

Sua origem na trajetória do princípio espiritual remete ao mecanismo das Divinas Leis, cujo propósito consiste em despertar a consciência, desde as vivências mais simples e, sem saber, à sensibilidade e à emoção equilibrada que no estágio de humanização ganha o suporte da razão.

Em nossa caminhada espiritual, ao lograrmos os dias da racionalidade fazendo-nos capazes de escolher e fazer juízos éticos, possuímos consciência do sofrimento, não raramente adormecida pelas paixões inferiores.

Dia virá em que faremos cessar os nossos sofrimentos e dele nos libertaremos quando encarnarmos na prática e em sua completude o ensinamento do Mestre Jesus que se refere à Lei de Amor.

Considerando que todos os seres em algum momento sofrem e que estamos jungidos, dada a nossa condição evolutiva, ao sofrimento, parece oportuno compreendermos um pouco a natureza do sofrimento para dele extrairmos as lições que nos são necessárias.

O sofrimento pode se apresentar sob três formas: “o sofrimento do sofrimento; o sofrimento da impermanência e o sofrimento resultante dos condicionamentos”.[2] O sofrimento por si só gera um contingente de aflição, um conjunto de dores, que pode ser agravado conforme venhamos a encará-lo, ou seja, a revolta ou o desespero podem amplificar o desconcerto íntimo inicial gerado pelo sofrimento, produzindo estados ainda mais perturbadores.

Por outro lado, a aceitação (resignação) pode gerar um estado contínuo de serenidade que permite ao indivíduo compreender a causa de seu sofrimento em momentos de meditação, aprender com ele no sentido de ver a vida sob outro prisma e amadurecer, a tal ponto que se encoraje a ajudar outras pessoas a compreender a “marcha da vida e ir tocando em frente”, como diz a letra da música do violeiro Almir Sater.

O sofrimento da impermanência nasce em nosso modo apegado de lidar com as coisas, circunstâncias e pessoas. O estado de impermanência é uma característica da vida, tudo é transitório e por falta de observação não nos apercebemos disso. Na ignorância sobre a impermanência queremos reter valores materiais de forma acumulativa, vincular emocionalmente a nós as pessoas, e procuramos cristalizar as condições em que nos movemos.

Entretanto, tudo passa. A vida material é um momento fugaz na imortalidade. Para lidar com sabedoria ante a transitoriedade da vida é preciso aprender a meditar na natureza impermanente das coisas e obedecer, conscientemente, à dinâmica das Leis do Criador.

Nossos condicionamentos inferiores também produzem sofrimentos que, no caso, poderíamos evitar. Toda transgressão ética gera conflitos na consciência culpada que reclama reparação, resgate e alteração comportamental do infrator, estando no corpo ou desencarnado, algum dia.

Levemos em conta, alma amiga, as considerações dos Numes Tutelares acerca da relação da condição aflitiva dos Espíritos imperfeitos com as paixões inferiores que nutrem, elas “retardam o progresso”[3], fazendo-nos viver atrelados a sofrimentos diversos, semeados por nós mesmos na lavoura da existência.

Vinícius Lima Lousada

[1] FRANCO, Divaldo. Plenitude. (Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis). Salvador/BA: LEAL, 1991, p. 21.

[2] Idem.

[3] O Livro dos Espíritos, questão 97.

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