Olhai os Lírios do Campo – Amor sem apego

Olhai os Lírios do Campo é um romance de Érico Veríssimo( O Tempo e o Vento, dos famosos personagens  Ana Terra e Capitão Rodrigo ), escrito em 1938. Está obra rendeu duas telenovelas, em 1961 pela extinta TV Tupi  e em 198o pela Rede Gobo. Além de um filme argentino homônimo feito  em 1947. Na Trama   Eugênio Fontes forma-se em Medicina.Apaixona-se por Olívia, mas se casa por interesse com Eunice, uma mulher rica. Com essa história ao fundo, o autor compõe um painel de tipos humanos sempre às voltas com o conflito segurança versus felicidade.

Esse é um dos grandes dilemas da humanidade. Todos queremos ser feliz não é mesmo?. Todos concordamos que a felicidade está sempre em primeiro lugar.  Mas na pratica, na hora de pesar na balança, os valores materiais terão um peso maior na nossa vida, não é verdade?. Eu não disse para ser um pródigo, só menos materialista. Jesus era carpinteiro, Paulo de Tarso tecelão, Bezerra de Menezes foi Médico e Politico e Chico Xavier Funcionário Público.

Amar sem se apegar refere-se tanto a coisas quanto a pessoas. Como diz a mensagem de Paulo Coelho:”Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. Você nunca será minha e por isso terei você para sempre”.  Ou ainda “A medida do amor é amar sem medida.” ( Santo Agostinho)

Cada um segue seu caminho evolutivo individualmente.Nele, temos muitas tarefas á cumprir.O seio familiar de cada um contudo permanecerá sempre o mesmo para toda eternidade. Quando houver amor , aquele ente querido estará  sempre conosco, não se preocupe.Portanto devemos amar as pessoas sem apagar-se a elas. Para conquistarmos a felicidade, temos que ser livres, mas acima de tudo, deixar os outros serem também.

Na verdade a obra de Érico Veríssimo foi inspirada nos ensinamentos do Mestre Jesus segundo o artigo de  Américo Domingos Nunes Filho publicado originalmente na Revista Espírita Allan Kardec, Goiânia, GO, em 01.02.1995 .

Jesus, nosso Mestre, além de todas as virtudes, é, também, um excelente poeta. Sendo Espírito de alta hierarquia, o Cristo já tem a vivência, em grande expressão, do sentimento do belo.

Hodiernamente, tanto se fala em ecologia, no respeito à natureza, no carinho às árvores e aos animais. Jesus exemplificou, em seu nascimento, cercado de seres infra-hominais, no estábulo, o seu amor aos seres vivos. O Mestre reencarna em uma humilde estrebaria, sendo seu berço um tabuleiro onde se’ serve a comida aos animais.

Os primeiros visitantes do menino foram simples pastores que guardavam suas ovelhas, naquela noite majestosa. Encontro memorável do Cristo com os primeiros “lírios do campo” que, de vigília, pastoreavam seu rebanho.

Na casa de Simão, o fariseu, Jesus viu, mais uma vez, as flores do campo; quando exortou a uma nova vida a irmã que ungiu os seus pés. O israelita, embora religioso, não podendo ver os lírios que crescem, recriminava o Mestre, dizendo ser a mulher uma pecadora (Lucas 7:39).

Nas cercanias de Tiro e Sidon, uma mãe aflita, cananéia, foi testada em sua fé no Cristo. Ele sabia que estava diante de uma flor do campo, e disse-lhe: “Ó mulher, grande é a tua fé!… ” (Mateus 15:28).

Uma mulher, encontrada em adultério, foi levada ao Mestre. A lei mosaica determinava a pena de morte, através do apedrejamento. Jesus olhou os lírios do campo que desabrochavam naquela irmã, e respondeu aos que ainda não sabem observar as flores do campo: “Aquele que estiver sem erro, atire a primeira pedra”. E todos se retiraram, a começar pelos mais velhos (João 8:7-9).

“Olhai para os lírios do campo, como eles crescem: não trabalham, nem fiam. Eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles” (Mateus 6:28-29).
Você, querido leitor, não vê os lírios que crescem? Enquanto, neste momento, está preocupado com o dia-a-dia, porventura desesperado com o amanhã, todo o seu Arcabouço físico está funcionando automaticamente. Trilhões de Células de seu corpo vivem sem a intervenção da sua vontade. Uma potente máquina, em seu peito, bombeia o sangue, fazendo toda a operação por si mesma, sem a sua interferência.Passe a olhar os lírios do campo! Tenha a certeza de que ninguém é desgraçado, infortunado: Jesus disse: “Aquele que não toma a sua cruz, e não me segue, não é digno de mim”. (Mateus 10:38).Tenha fé, tudo é passageiro. O Cristo, também, afirmou que na casa do Pai há muitas moradas. O Universo espelha a eternidade e haverá, sempre, uma mão amiga para acolher você. Nenhum ser será deserdado. O apóstolo Pedro, em sua Primeira Epístola, nos conforta, dizendo que Jesus pregou aos espíritos em prisão (1 Pedro 3: 19). O “inferno” existe em nós, à medida que nosso pensamento está canalizado para o mal que causamos a outrem.No momento em que resolver tocar no Mestre, como fez a mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de    sangue (Marcos 5:25), evocando-o, pedindo-lhe perdão por suas faltas e disposto a repará-las, o “inferno”, em que se encontra a sua consciência, transformar-se-á em misericórdia e esperança. O Cristo ensinou que nenhuma ovelha se perderá.Abra seu coração a Jesus. Procure agir como o samaritano que ajudou o homem caído na estrada. Vá de encontro aos sofredores.

Procure praticar a fraternidade. Faça com que o amor seja, cada vez mais, espargido sobre todos os aflitos e desesperados. Olhe os lírios do campo! Observe aqueles que são menosprezados e vilipendiados pelos homens. Valorize sempre o ser humano, qualquer que seja sua conduta atual. Ontem, também, você semeara o mal e as mesmas mãos, que o socorriam então, serão substituídas, agora, pelas suas.

Não tenha preconceito. Olhe as flores do campo nos chamados pecadores. Todos nós somos frutos e criação do Grande Geômetra do Universo, definido, como Amor, no Novo Testamento. Segundo o Mestre, o Reino de Deus está dentro de nós e somos deuses. Fomos criados para a felicidade, que já existe em potencial dentro de nós, desde o momento de nossa fecundação cósmica.
Meu querido leitor, olhe, agora, olhe, sempre, os lírios do campo…