Caridade: Não confunda dar coisas com dar-se nas coisas

Segundo o  Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, “a caridade é a virtude teologal pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei. A caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14) e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela «não sou nada» e «nada me aproveita» (1 Cor 13,1-3)“.

São Paulo disse que, de todas as virtudes, “o maior destas é o amor” (ou caridade). O Amor é também visto como uma “dádiva de si mesmo” e “o oposto de usar“.   

Parábola do Bom Samaritano (Evangelho segundo Espiritismo Capitulo XV)

(…)

Vinde benditos de meu Pai, possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo. Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; precisava de alojamento e recolhestes-me; estava nu e cobristes-me; estava enfermo e visitastes-me; estava no cárcere e viestes ver-me.

(…)  

Complementando os ensinamentos do apostolo Paulo descritos no  mesmo capitulo   

” 6 – Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade, sou como o metal que soa, ou como o sino que tine. E se eu tiver o dom de profecia, e conhecer todos os mistérios, e quanto se pode saber; e se tiver toda a fé, até a ponto de transportar montanhas, e não tiver caridade, não sou nada. E se eu distribuir todos os meus bens em o sustento dos pobres, e se entregar o meu corpo para ser queimado, se todavia não tiver caridade, nada disto me aproveita. A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar às profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a ciência.

             Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes; porém a maior delas é a caridade. (Paulo, I Coríntios, XIII: 1-7 e 13).( Mais uma Trindade)

7 – São Paulo compreendeu tão profundamente esta verdade, que diz: “Se eu falar as línguas dos anjos; se tiver o dom de profecia, e penetrar todos os mistérios; se tiver toda a fé possível, a ponto de transportar montanhas, mas não tiver caridade, nada sou. Entre essas três virtudes: a fé, a esperança e a caridade, a mais excelente é a caridade”. Coloca, assim, sem equívoco, a caridade acima da própria fé. Porque a caridade está ao alcance de todos, do ignorante e do sábio, do rico e do pobre; e porque independe de toda a crença particular.

E faz mais: define a verdadeira caridade; mostra-a, não somente na beneficência, mas no conjunto de todas as qualidades do coração, na bondade e na benevolência para com o próximo”. (Outra Trindade)

A Bandeira do Espiritismo é uma trindade: Deus, Cristo, Caridade A caridade é a principal virtude do ser humano, a irmã gêmea do amor. A soma dos dois principais mandamentos de Moisés. É o ato primordial no qual nos leva, espíritos encarnados e desencarnados a chegar à perfeição relativa. Através da caridade nos tornamos Espíritos puros ou Angelicais assim como nosso Divino Mestre Jesus. 

Ocorre que esse novo mandamento de Jesus  tem sido mal interpretado  pela humanidade ao longo da história.Padre, Bispos, Empresários com a intenção de locupletar-se  iludem a população a interpretá-la erroneamente,   e com menos amplitude, desviando-se de seus princípios fundamentais. Sua essência não está ligada a transferência de bens materiais ou dinheiro ao próximo. Igrejas , templos e instituições de caridade , deturpam-na em forma de dizimo da maioria das vezes em beneficio próprio e não em pro da comunidade .

Em brilhante interpretação desta parábola feita pelo Doutor Bezerra de Menezes, publicado no livro do Herdeiros do Novo Mundo não nos deixa  nenhuma dúvida sobre o verdadeiro significado da caridade.

(…)

” Os capítulos e versículos das Escrituras nos oferecem verdadeiro manancial de passagens bíblicas nas quais a palavra lúcida do Divino Mestre assegura o roteiro da salvação a qualquer um que tiver olhos de ver  e ouvidos de ouvir.

No Entanto, ainda assim boa parte da Humanidade cristã tem se debruçado sobre as frases sem lhes identificar a luz mediana a fluir de cada sílaba, procurando decorar-lhes o fraseado sem entender-lhes a essência. Por tal estrabismo, ingênuo em algumas circunstâncias, mas deliberando na maioria dos casos, poucos têm se valido de exortações tão lúcidas quanto de alertas tão oportunos.

Então interesses de ordem material interferem nas pregações, nas interpretações, nos ensinamentos morais para desnaturar a autenticidade da mensagem cristã, sempre visando a conquista do reino do mundo em detrimento ao acesso ao Reino de Deus.

A passagem Evangélica desta noite não deixaria margem a nenhum equívoco, não fosse a malícia dos homens a reduzir o conceito mais nobre á sua expressão pecuniária mais sórdida. Observemos o extremo cuidado e zelo do Celeste amigo ao informar para ao informar como fazer para que , no momento da separação das almas , a seleção se fizesse por critérios claros.

Tive fome e me deste de comer- Compartilhar o alimento que se possua.

Tive sede e me deste de beber- dividir o cantil com a necessidade de outrem.

Tive necessidade de alojamento e me alojaste – acolher o desamparado  no momento do desamparo,abrindo o campo do egoísmo e o oásis do lar para um sofredor em uma condição de carência transitória.

Estive nu e me vestiste – compartilhar a roupa que se possua com alguém que se viu desprotegido na própria carne em um momento de desdita qualquer.

Estive doente e me visitaste – atenção com o sofrimento alheio na hora difícil da dor e do isolamento.

Estive na prisão e vieste me ver- compaixão diante de quem cometeu um delito, ao invés de julgamento e aversão pela criatura faltosa.

Se observarem com clareza, todas as atitudes não envolvem dinheiro.

Não encontramos Jesus dizendo:

Tive fome e compraste um lanche para mim, tive sede e me pagaste um refresco; tive necessidade de alojamento e me alugaste um hotel; estive nu e me compraste uma roupa;estive doente e me pagaste um remédio; estive preso e contrataste um defensor para me tirar da cadeia.

O dinheiro  não parece fazer nenhuma diferença, na exortação da caridade a que o Cristo se refere. Ao contrário, tudo está ligado a uma postura de doação do Espírito diante  da dificuldade de seus semelhantes, combatendo o vilão que se chama Egoísmo. O egoísta faz de tudo para resumir a caridade em alguns trocados, porque lhe é mais fácil abrir o bolso do que  ceder de seu tempo, de sua atenção, de seu conforto,de seu luxo,de sua abundância, de seu refúgio. É mais simples ao ególatra tomar uma intima parte de seu patrimônio para se desculpar dizendo que já fez a sua parte.

Então, dizemos para nós mesmos que praticamos a caridade e que, por causa disso, merecemos as bênçãos do Céu. No entanto, nada mais fizemos que dar coisas para não darmos de nós

O esforço de Jesus nesse sentido é incisivo.

Trata de nos ensinar que a salvação  depende de nós ofertarmos em tudo o que fizermos  pelos outros. Mais proveito obtém para si mesmo aquele que já aprendeu a dividir o prato de comida que tem diante de si com um faminto que o busca pessoalmente do que aquele que, com seus milhões, financia um grande programa de abastecimento  através da doação de cestas de alimento a pessoas que nunca viu nem haverá de ver.

Há pessoas cuja caridade consiste no árduo esforço de assinar uma folha de cheque.

Ai está a desnaturação do ensinamento cristão. Do alto das pregações religiosas, os representantes do culto viram a oportunidade de enganar os fieis com a idéia era dar-dar para igreja, para o templo, para o centro espírita, para os pobres. Tal pregação lhes garantiu o enriquecimento material e a conquista de poderes mundanos sem, no entanto, tornar milhões os fieis que,ao se desfazerem de certa parte de seu patrimônio o fazem como alguém que está depositando em um fundo de investimento ao invés de se o fazerem pela bondade espontânea de seus corações. Geralmente é a cobiça que tem motivado a maioria das atitudes caridosas, fundamentadas no sonho de um lugar melhor á custa das moedas espalhadas da Terra. Estaria, então, o Reino de Deus  dependente dos cofres humanos ? Teria sido essa a recomendação de Cristo? Os eleitos seriam os esbanjadores  de dinheiro w não os demais? Claro que não. Essa foi a deturpação que os homens fizeram ao exortar seus irmãos a uma caridade de dar coisas, bens, comida, roupa, alojamento, como se a caridade ou o dar se esgotasse nele mesmo.

Nada disso está registrado no ensinamento evangélico.

A caridade não é um objetivo que se esgota na assinatura de um papel valioso,na entrega dos pratos repletos de alimento, na compra e distribuição de cobertores, dispensando os que fazem isso da obrigação de serem bons. Então, meus filhos, estejamos atentos ao entendimento da essência porque, em verdade, a Salvação existe, mas para aqueles que,entendendo a caridade como um meio, aceitam ser esculpidos por ela,dando coisas, comprando alimentos,roupas,remédios- se lhes é possível fazer isso com os recursos que possuam- mas,acima disso,  tornando-se caridosos pela prática pessoal e direta do DAR-SE NAS COISAS.

Aquele que limita a dar coisas, é o investidor que, ao tilintar as moedas, espera a aprovação de sua entrada no Paraíso.

Aquele que se dá, é o que, mesmo sem esperar o Paraíso, é convocado para nele  penetrar pela força das preces que os infelizes elevas a Deus a seu benefício.Isso porque deu-se no pedaço de pão, no copo d´ água,na roupa,no teto,na saúde ,no tempo,compartilhando  o próprio ser,solidário e fraterno, com aquele a quem faltava. Os que fizerem isso, esses encontrarão O Juízo Favorável na hora da separação das ovelhas as dos bodes.

Que Jesus nos perdoe a ignorância e a pouca vontade em seguirmos suas lições,mas que nos ajude a abrirmos os olhos para a compreensão de tais verdades.” (…)

(SEM COMENTÁRIOS)

(Para saber e evoluir: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caridade)  e   http://evangelhoespirita.wordpress.com/ e

Livro: Herdeiros do Novo Mundo Espírito Lucius, psicografado por André Ruiz Luiz. Editora Ide )